O Futuro: cinema indie inventa novos conceitos de tempo e espaço

(Fotos: Divulgação)
 
A sinopse não parece minimamente a de um filme promissor: um casal em torno dos 30 anos decide adotar um gato vadio, o que termina por acarretar mudanças na sua vida de uma intensidade inesperada – e colocando em causa mesmo noções como tempo e espaço. Mas a verdade que é que esta segunda longa-metragem da realizadora indie Miranda July, presente nas seleções oficiais de Sundance e Berlim 2011, tem provocado entusiasmo entre críticos e cinéfilos por onde tem circulado. 

O seu filme de estreia, “Eu, Tu e Todos os que Conhecemos” (2005), colecionou prémios e nomeações – entre os quais de Realizador Estreante e a Semana da Crítica em Cannes, prémio do Júri em Sundance, e Melhor Realizador Estreante dos Spirit Awards, entre outros.

No entanto, inserida numa incrível panóplia de atividades artísticas (que inclui a literatura), passaram-se seis anos até vir à luz o seu novo trabalho no cinema. “The Future” surgiu com a sua performance interativa “The Kitchen”, encenada em Nova Iorque em 2007. Definida pela autora como uma espécie de drama com toques de ficção científica (cujos elementos, diga-se de passagem, não são fáceis de encontrar no filme), a obra aborda questões diversas, como a vida artística, a solidão e a existência como um todo – e, sobretudo, relativizações dos conceitos de tempo e espaço que o induzem, frequentemente, a abordagens que beiram o surrealismo. 

O par principal é vivido no ecrã pela própria realizadora e o ator Hamish Linklater (recentemente visto no malfadado “Battleship”). O projeto custou € 1 milhão e foi filmado em Los Angeles em 27 dias. Conforme July já declarou, “The Future” beneficiou-se da vantagem de ter tido um orçamento pequeno, o que lhe garantiu liberdade para tudo – incluindo a edição final. 
 
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“THE FUTURE”
Realização: Miranda July
Elenco: Miranda July, Hamisch Linklater. EUA, 2011. {/xtypo_rounded2}

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