Jeff Nichols já tem um novo projeto em mente e à sua maneira vai contar a história de Taylor Wilson, um adolescente do Alabama, EUA, que ficou famoso por lidar com material nuclear em casa com a aprovação dos pais.
A história foi conhecida num artigo da Popular Science, e conta como o jovem génio aos 14 anos conseguiu a fusão nuclear com recursos mínimos. Quando a sua avó adoeceu com um cancro, o rapaz começou a trabalhar na busca de isótopos que matassem as células cancerígenas antes de começarem a arruinar as células saudáveis. Mas o curioso desta história é que ela vai ser apresentada de forma transversal a uma outra. Nos anos 90, David Hahn, um rapaz do Michigan (EUA), tentou fazer um reactor nuclear no quintal, mas as coisas levaram a resultados desastrosos. Tudo isto foi apresentado no livro «The Radioactive Boy Scout» de Ken Silverstein, obra que apaixonou Nichols quando era jovem e o levou a idealizar em filme – sendo logo visível que a proteção aos seus entes volta a estar na ordem do dia dos trabalhos do cineasta.
Recordamos que Nichols tem causado bastante impacto dentro do circuito de cinema independente americano. Primeiro deu nas vistas com «Histórias de Caçadeira», filme que explora o beliscar da masculinidade e o sentido primário de proteção familiar (e a vingança), apresentando um Michael Shannon em grande forma. Depois, e com o mesmo protagonista, surge o brilhante «Procurem Abrigo», fita que pede emprestado a «Histórias de Caçadeiras» alguns dos seus elementos, apresentando uma personagem em constante luta entre a realidade e a paranóia, sempre com a ideia de proteger os seus familiares.
Já este ano Nichols voltou a invadir o Festival de Cannes, desta feita com «Mud»; um filme sem Shannon no protagonismo (mas presente no elenco), mas com um Matthew McConaughey fulminante na pele de um fugitivo que inicia uma improvável amizade com um jovem de 14 anos (Tye Sheridan, de «A Árvore da Vida»).
O certo é que com esta cinematografia no curriculum, Nichols é um dos valores mais sólidos do cinema americano, e esta obra «nuclear» certamente continuará a mostrar um cineasta capaz de contar micro-histórias com contornos épicos.

