«Insidious» de James Wan (‘Saw’), que estreará quinta-feira nas nossas salas, tem sido um grande sucesso critico e comercial com o cinema de terror não tem encontrados nos últimos anos. No entanto, este filme verdadeiramente inspirado não escondas as suas… heranças. Se ‘Poltergeist’, ‘The Amityville Horror’ e o recente ‘Paranormal Activity’ estão claramente na poção que criou este sucesso, o filme mais relevante e evidente na obra de Wan é o esquecido ‘Carnival of Souls’, de 1962.
Esta relíquia do terror americano é o mais vivo exemplo de um filme de culto, e merece ser revisto pelos fãs do cinema de género pelo seu inegável valor histórico. Feito em 1962, com uns míseros 33 mil dólares, ‘Carnival of Souls’ era um eco série B do sucesso de ‘Psycho’ de Alfred Hitchcock. No entanto, os seus elementos do bizarro e o seu ambiente soturno, fizeram de ‘Carnival of Souls’ um dos filmes mais relevantes da história do cinema de terror. Isto porque é raro encontrar uma peça de ficção desta época que embarque por meandros tão estranhos e originais do oculto. O baile macabro que fecha o filme foi uma das inspirações de George A. Romero na hora de criar ‘Night of the Living Dead’ (A Noite dos Mortos Vivos), e pode-se dizer que talvez ‘Carnival’ mereça o real crédito pela género do chamado “Zombie Cinematográfico”.
No filme seguimos como Mary Henry e as suas amigas são vítimas de um terrível acidente de automóvel provocado por uma estúpida corrida de carros numa ponte. Mas apesar do aparatoso acidente, Mary sobrevive sem sofrer sequer um arranhão. Nem sequer emocional, para a surpresa de muitos. Isolada do mundo, ela muda-se para Salt Lake City para trabalhar como organista numa igreja.
Mary começa a desenvolver uma obsessão estranha por um pavilhão abandonado, potenciada por estranhas experiência que vai vivendo na residencial onde está hospedada. Um homem misterioso, com uma maquilhagem estranha, surge em pesadelos que tem enquanto acordada. As coisas vão piorando com os dias, com a sua realidade a tornar-se cada vez menos palpável. Por vezes Mary dá por si como não sendo parte da mesma realidade dos demais, não conseguindo ser ouvida ou vista pelas outras pessoas. O mistério da sua condição leva-a de volta ao pavilhão, onde testemunha um grande baile de almas onde a sua… está presente. Mary percebe assim que não sobreviveu a acidente do carro, e o seu corpo escontra-se nos escombros com o das suas amigas.
‘Carnival of Souls’ é uma obra verdadeiramente original para os anos 60. Momentos como o já referenciado baile de almas não são só arrepiantes como perturbadores. Muitos elementos narrativos desde filme vierem a ser reaproveitados e desconstruídos noutros filmes, como os mortos-vivos do final ou os vários níveis de realidade do pós-morte (que se tornaram quase uma convenção nos filmes do género como ‘Jacob’s Ladder’ e ‘The Sixth Sense’).
Este projecto de baixo foi feito por Herk Harvey – um produtor de filmes educativos e industrais do Kansas – que desenvolveu esta ideia quando passou de carro junto a um pavilhão de festas abandonado. O filme foi rodado quase sem dinheiro na região, com actores desconhecidos dos quais a protagonista Candace Hilligoss viria a ganhar um estatuto de culto como diva do terror (a actriz apenas actuou nos anos 60, mas manteve sempre activa no legado do filme, tendo sido inicialmente uma das responsável pelo ‘remake’ dos anos 90).
‘Carnival of Souls’ é agora património cultural da Humanidade e pode ser visto em baixo:
http://www.youtube.com/watch?v=exUFpSFblaw
José Pedro Lopes

