Apesar de todo o burburinho em torno do sucesso que o filme está a ter nos Estados Unidos, eu mantive sempre algumas reservas para com este «Bridesmaids» (A Melhor despedida de solteiro), uma comédia produzida por Judd Apatow e que vinha rotulada como uma espécie de «A Ressaca» no feminino.
Na realidade, «Bridesmaids» é muito menos arrojada cliché e convencional do que se esperaria. E se procuram um grupo unido que faz a acção avançar, como no filme de Todd Phillips, desenganem-se. Apesar de estar repleto de personagens curiosas e fascinantes (destaque óbvio para a personagem interpretada por Melissa McCarthy), tudo na realidade gira em torno de apenas uma pessoa.
Annie (Kristen Wiig) é uma solteirona que quer algo mais mas não sabe por onde começar, ou se quer mesmo começar. A sua vida é um caos, começando logo na casa onde vive e com os seus estranhos colegas de residência. No plano afectivo as coisas não melhoram, estando ligada a uma relação baseada em sexo e a muito pouco mais. Ora esse descalabro emocional afecta também a sua forma de estar no emprego, levando mesmo o seu patrão a avisá-la várias vezes que tem de melhorar a sua performance. É neste contexto que Annie vai tomar conhecimento que a sua melhor amiga, LIlian (Maya Rudolph), vai casar e a quer para dama de honor. Mas nem tudo parece o que é, e quando ela se cruza com Helen, uma recente conhecida de Lilian, surge no ar que o posto de melhor amiga possa já não ser seu.
{xtypo_quote_left}Há algo profundamente açambarcador nesta fita, e esse algo é Annie, que suga a película em seu torno. {/xtypo_quote_left}A partir daqui as aventuras são muitas, não deixando de haver diversas piadas que nos levam a constantes gargalhadas (mais uma vez destaque para Melissa McCarthy). Porém, há algo profundamente açambarcador nesta fita, e esse algo é Annie, que suga a película em seu torno. Quando isso sucede, toda a magia de ver um grupo de mulheres preparar os eventos para o casamento de uma amiga acaba por passar para segundo plano, sendo assim o filme mais sério (ou mais dramático) do que devia, e menos relaxado, audaz e divertido que «A Ressaca» ou outros do mesmo género (como até mesmo «The Sweetest Thing»).
Há quem diga isso advém da maturidade das mulheres ser maior que a dos homens, ou da tal queda para o sentimentalismo ou romance. Puro cliché. Eu apenas acho que a escolha da competição e da pressão social para arranjar um parceiro é algo demasiado batido e aqui volta-o a ser, pois voltamos a bater numa tecla super recorrente da TV e do Cinema. Dei mim por vezes entre «Timer» e «Sex and The City» com apenas alguns desvarios. O que é pena, pois são esses momentos mais bizarros que dão a força e a graça que o filme tem. De qualquer maneira, e como as comédias no cinema andam mesmo fracas, «Bridesmaids» acaba por ser um mal menor e consegue mesmo arrancar algumas gargalhadas. Pena não ir mais longe …
O Melhor: Melissa McCarthy e o Agente da Lei no Avião
O Pior: O filme tem melhores resultados e momentos como uma divertida comédia de conjunto. Quando termina, a obra já é apenas um drama relacional de uma personagem só…
| Jorge Pereira |

