O actor Warren Beatty vai voltar aos cinemas, de novo na realização, isto depois de em 1998 ter executado «Bulworth».
Após estes 13 anos de ausência, o cineasta anunciou que iria realizar e actuar muma obra centrada na vida de Howard Hughes, personalidade que em 2004 foi revisitada em «The Aviator» por Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio como protagonista.
No filme, Beatty será um Howard Hughes envelhecido, mas que mantém uma relação com uma rapariga bem mais nova. Rooney Mara, que brevemente veremos em «The Girl With the Dragon Tattoo» e Evan Rachel Wood (The Wrestler) são as principais candidatas a esse papel.
Adicionalmente o actor anunciou também que deverá protagonizar uma obra ao lado de Annette Bening (a sua esposa na vida real), Andrew Garfield (The Amazing Spider-Man), Alec Baldwin (Rock of Ages), Shia La Beouf (Transformers) e Jack Nicholson (As Good as It Gets).
Sobre Howard Hughes
A vida de Howard Hughes começa logo duma forma pouco usual. Sem certidão de nascimento, sabe-se que Hughes nasceu não na véspera de Natal de 1905 em Houston (Texas), como muitas fontes ainda afirmam, mas sim três meses antes (a 24 de Setembro) no mesmo local. O seu dia de nascimento foi marcado por uma tempestade e os seus pais ficaram impedidos de fazer a viagem para registar o recém-nascido, deixando o assunto estender-se até três meses mais tarde. Howard Robard Hughes Jr. cresceu normalmente como estudante com um interesse especial por matemática, voo e mecânica. Ao ficar órfão em 1924, o jovem Hughes tomou o controlo da companhia do seu pai em Houston – a Hughes Tool Company- com um valor estimado em 900 mil dólares.
Não demorou muito tempo até Hughes se mudar para Hollywood. Em 1925, financia três filmes de qualidade variável, vindo posteriormente a produzir e a realizar um épico sobre pilotos da Royal Air Force na 1ª Guerra Mundial chamado “Hell’s Angels”. O filme custou 3,8 milhões de dólares – um autêntico recorde na altura. Lançado em 1930, “Hell’s Angels” foi um estrondoso sucesso, estabelecendo novos recordes de bilheteira, mas nunca chegou a recuperar o seu orçamento.
A sua vida amorosa foi bastante agitada, tendo relações amorosas com estrelas de Hollywood como Ava Gardner, Katherine Hepburn, Ginger Rogers, Terry Moore e Lana Turner e tendo eventualmente casado e divorciado com a actriz Joan Peters.
Durante todos estes anos em Hollywood, Hughes mantém a sua paixão pelo voo, e tal como a industria cinematográfica, também a indústria de aviação se começava a afirmar no Sul da Califórnia, sendo a região um autêntico centro para as novas tecnologias. Em 1934, vence o seu primeiro titulo de velocidade ao voar um Boeing a 185 milhas por hora. Juntamente com o jovem engenheiro Dick Palmer constrói um avião chamado H-1, o qual pilota atingindo um novo recorde de velocidade de 352 milhas por hora, perto de Santa Ana (California). Nesse mesmo ano (em 1935) funda a Hughes Aircraft Company como uma divisão da Hughes Tool Company. Em 1937, viaja de Los Angeles até Newark (Nova Jersey) em 7 horas e 28 minutos, um novo recorde de costa-a-costa. Ainda em 1937, é eleito o melhor aviador do mundo ao conquistar o Harmon International Trophy e é honrado pelo Presidente Roosevelt na Casa Branca. No ano seguinte, estabelece um novo recorde, desta vez ao viajar à volta do mundo em 3 dias, 19 horas e 17 minutos; durante o processo cortou o anterior recorde de Charles Lindbergh de Nova Iorque a Paris em metade. Hughes tinha chegado ao pico da sua carreira (e da sua popularidade).
Os anos da 2ª Guerra Mundial foram frustrantes para Hughes, com um contrato que quase lhe custou a vida, e outro para um avião de tropa e de carga conhecido por “Spruce Goose” (ainda o maior avião jamais construido) que só foi completado depois da guerra acabar, mas que ainda chegou a voar uma vez em Long Beach Harbor no dia 2 de Novembro de 1947.
As últimas três décadas da sua vida não foram nada famosas. Desde 1944, Hughes começou a exibir um comportamento alarmante e uma fobia aos germes, levando-o a um esgotamento nervoso. O seu medo dos germes ficou pior devido ao vicio das drogas, entre as quais Codeína (originalmente receitada para o alívio da dor das lesões sofridas no desastre de avião ocorrido anos antes) e Valium (a obsessão com os gremes tinha começado na sua infância, devido em grande garte a uma educação demasiado protectora da sua mãe, e foi-se agravando ao longo da sua idade adulta). Desde o início da década de 40 que ele requeria que todos os que entrassem em contacto com as mesmas coisas que ele tocava usassem luvas brancas e todos os seus criados tinham que tratar de tudo usando lenços de papel, tal era a fobia. Em 1958 sofre o seu segundo esgotamento. O seu comportamento era cada vez mais irracional e apesar de ter tido os seus momentos de lucidez, a sua saúde física tornou-se precária. Um médico que o examinou em 1973 comparou a sua situação à dos prisioneiros que tinha visto em campos de concentração japoneses durante a 2ª Guerra Mundial. Hughes passou o último capítulo da sua vida no México, fisicamente e mentalmente doente e absolutamente sozinho no mundo, se não contarmos com os doutores e guarda-costas que o acompanhavam. E a 5 de Abril de 1976 (aos 71 anos de idade) acabou por falecer por paragem cardíaca ocorrida ironicamente num avião que o transportava de Acapulco até Houston, para tratamento médico.
Jorge Pereira & André Gonçalves

