Poster explicito de «The Girl With The Dragon Tattoo» é enganador em relação às origens

(Fotos: Divulgação)
Não fosse o realizador ser David Fincher e provavelmente as imagens que têm surgido de «The Girl With The Dragon Tattoo» tinham sido dizimadas. E porquê? Porque acima de tudo o trabalho gráfico presente no poster pouco ou nada tem a ver com as personagens da obra literária de Stieg Larrson na sua trilogia Millennium. Ora vejamos:
 
 O poster parece ter saído de uma campanha da Sisley do início do século XXI. Lisbeth Salander não é uma «Heroin Chic», é uma hacker reputada com diversas fragilidades sociais e interiores. Pior, Rooney Mara (a actriz que a protagoniza) parece uma falsa rebelde estilosa que pratica o culto de uma aparência rebelde. O facto de se ir ao extremo da nudez é tremendamente enganador em relação à personagem, e sinceramente este poster é muito mais para vender um estilo à americana, ie, é um design profundamente capitalista.

 
Já Daniel Craig é o «Super» Blomkvist do livro. E não, este também não é um super estiloso jornalista/investigador que mais parece um agente secreto, como se uma extensão de James Bond a cair para o gótico se tratasse. Este é um homem caído em desgraça e que construiu uma reputação por desvendar alguns escândalos do passado. Mas não esquecer. Ele é um jornalista e editor de uma revista de investigação. 
 
Obviamente que se o filme fosse independente de um livro, estas questões não se levantavam, mas cada vez  tenho mais a certeza que esta obra americana seguirá o que The Ring fez em relação ao seu congénere japonês, ou seja: refilma-se um filme, não se readapta um livro.
 
Jorge Pereira 

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