«Your Highness» tem os seus momentos, mas é uma desculpa esfarrapada para desperdiçar talentos

(Fotos: Divulgação)
Thadeous (Danny McBride) e Fabious (James Franco) são dois irmãos. O segundo passa a vida a embarcar em corajosas jornadas e conquistar o coração e a admiração do povo. O primeiro é um preguiçoso, com um constante complexo de inferioridade, que se entregou a uma vida de erva “medicinal”, bebida e muitas donzelas. Mas quando a futura noiva de Fabious, Belladonna (Zooey Deschanel), é raptada pelo malvado Leezar (Justin Theroux), Thadeous é obrigado pelo pai a embarcar com Fabious numa aventura e resgatá-la. A eles vai-se juntar Isabel (Natalie Portman) e todos terão que contribuir para evitar que se entre numa nova Era das Trevas.
 
Há duas maneiras de fazer um filme com este enredo. A primeira é na linha de um trabalho sério, carregando emocionalmente as personagens e nunca despromovendo todo o ambiente medieval, numa forma realista. A segunda maneira é entrando no reino da tontice, onde basicamente se goza com as personagens e se lançam piadas, atrás de piadas. «Your Highness» pertence claramente a esta segunda categoria, sendo fundamentalmente orientada para um público masculino que através da sua bizarra história poderia ser uma espécie de um melting pot entre as comédias de Mel Brooks com os trabalhos de Cheech e Chong. Porém, as comparações ficam por aqui, pois o filme quer marcar a sua identidade como objecto único e diferente, ainda que no caso isso não seja de todo algo positivo ou conseguido. 
 
E seria inevitável não focar a presença de James Franco e Natalie Portman no elenco, actores recentemente nomeados para os Óscares, aqui claramente em descompressão dos dramas que os elevaram na temporada dos prémios. Estas presenças, quer se queira, quer não, trazem maiores expectativas a uma obra, e nesse ponto, o novo trabalho de  David Gordon Green (Pineapple Express) deixa bastante a desejar, pois apesar de a espaços divertir, é demasiado vulgar e pobre no enredo – que não consegue de todo nos surpreender. 
 
Com piadas fáceis e personagens estereotipias pouco ambiciosas, «Your Highness» é na realidade um desperdício de recursos, quer em termos de actores, personagens ou na forma como tenta parodiar o género, caindo demasiadas vezes no humor de justapor um discurso mais arcaico com um calão mais contemporâneo. Por vezes vi-me em «Black Knight» com Martin Lawrence, e quando isso acontece, é porque há algo verdadeiramente mau aconteceu com esta produção. Por outro lado, são trabalhos como estes que dão ainda mais valores a clássicos de Mel Brooks ou dos Monthy Phyton.
 
Por estas, e por muitas outras razões, «Your Highness» é um fracasso. E não é tanto porque erra na abordagem, mas pelo desprimor/preguiça que colocou nela tendo os recursos que tinha…
 
Salvam-se alguns bons sketches, mas na essência e como um todo, o filme pertence àquela linha de obras que diverte mais quem filma, do que quem vê.
 
★★☆☆☆ (4/10) Kevin Morris para o c7nema.net, em Los Angeles  

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