Antes do “dilúvio”, a celebração de Mélanie Laurent e Guillaume Canet

(Fotos: Divulgação)

Mélanie Laurent e Guillaume Canet, duas estrelas do cinema francês conhecidos pela sua versatilidade entre a atuação e a realização, foram galardoados em Locarno com o Prémio de Excelência Davide Campari, entregue pelo certame para “celebrar atores com carreiras extraordinárias”. A dupla sucede assim a nomes como Susan Sarandon, John Malkovich, Willem Dafoe, Michel Piccoli, Anjelica Huston, Carmen Maura, Isabelle Huppert, Gael García Bernal, Charlotte Rampling, Giancarlo Giannini, Edward Norton, Bill Pullman, Mathieu Kassovitz, Ethan Hawke, Song Kang-Ho, Laetitia Casta, Aaron Taylor-Johnson e Riz Ahmed. 

A entrega da distinção ocorreu antes da exibição do filme de abertura de Locarno 77 – “Le Déluge”, protagonizado pela dupla. Escrito e realizado pelo italiano Gianluca Jodice,  o filme apresenta Laurent  e Canet como Maria Antonieta e Luís XVI.  O ano é 1792, quando os dois e os filhos foram presos e encarcerados num castelo em Paris, aguardando julgamento, após a revolução.

Gostei do projeto pois acho interessante ver como a revolução francesa transformou deuses em pessoas.”, explicou Canet em Locarno. “É interessante ver como eles encaravam os revolucionários e – no processo – tomam consciência das dificuldades das pessoas para viver fora da corte”. Reconhecendo que aprendeu bastante sobre a sua personagem para o interpretar, Canet disparou exemplos: “Olhando para as memórias do seu camareiro, por exemplo, descobrimos que havia nele uma maleita a nível social. Era extremamente tímido e, de certa maneira, havia algo de autista nele. O filme chama-se o “Dilúvio” porque o pai dele disse claramente que, depois dele desaparecer, viria o dilúvio. Ele claramente acreditava que o filho era incapaz de reinar. No fundo, esta é uma história sobre genes e natureza humana, que mostra como a sua incapacidade para governar o país impulsionou a revolução na nação”.

Já Mélanie Laurent, que amou o processo de transformação físico da sua Maria Antonieta à medida que angústia aperta e a guilhotina é montada, confessa que se interessou pelo filme por ele se centrar na reta final da vida dos protagonistas: “ Sinto que já vi muitos filmes sobre estas páginas da História, mas eles nunca assentavam nas linhas finais da vida das personagens. E este filme começa com essas linhas finais. É sobre o fim, a auto-consciência, e duas pessoas que realmente não se conheciam. É uma história de medo, desespero e aceitação. E estágios de luto para uma morte anunciada.

Sobre a passagem de ator para realizador, Canet explicou que procurava uma maior liberdade para criar as personagens que interpreta, enquanto Mélanie Laurent mostrava ansiedade para ver o filme numa sala aberta com milhares de pessoas unidas para celebrar o cinema. “É algo tão raro hoje dia”, concluiu.

O Festival de Locarno prossegue até dia 17 de agosto e vai ainda celebrar as carreiras de nomes como Alfonso Cuarón, Jane Campion e a estrela de Bollywood Shah Rukh Khan.

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