O Bairro: uma aposta portuguesa para o verão

(Fotos: Divulgação)

O Bairro é a aposta da Plural para os cinemas portugueses em pleno verão com o intuito de repetir o êxito atingido pelo spin-off cinematográfico de uma das séries mais bem-sucedidas da ficção portuguesa, Morangos com Açúcar. Por outras palavras, em competição direta com algumas das esperadas obras cinematográficas de Hollywood.

Porém, e como é preciso referir, o tom e o público desta nova criação de Francisco Moita Flores é outro, talvez não tão afluente às salas de cinema como a camada mais jovem, mas nada que lhe retire o título de “blockbuster português”. Uma aposta arriscada, mas assegurada com a exibição televisiva como formato de série em setembro. Mesmo assim Luís Esparteiro, diretor de Conteúdos de Ficção da Plural, encontra-se confiante com o sucesso e a relevância da obra, garantindo que O Bairroé um produto fraturante, realista, que vai romper de alguma maneira a forma como se faz ficção em Portugal“.

A série O Bairro é uma produção ousada da TVI. No seu campo é a única feita para a televisão mas, como já é habitual, em tudo o que se resume em produção cinematográficas nacionais o destino da pós-estreia é a do pequeno ecrã sob o formato de série ou minissérie. No caso deste filme, a tendência é completamente oposta: após terminada a rodagem de todo o seriado, a Plural TVI Produções decidiu condensar cerca de 20 episódios em hora e meia de longa-metragem a fim de promover o seu “rebento” televisivo.

Maria João Bastos

Maria João Bastos regressa às salas de cinema para interpretar Diana, “uma mulher que tem dentro dela uma sede de vingança justiceira“, como afirma a atriz, que caracteriza esta misteriosa, fria e calculista personagem, nascida e criada no infame Bairro da Estrela Polar. Ela é cabecilha de um gangue de crime organizado, autores de alguns dos mais violentos assaltos e outras operações ilícitas na zona de Lisboa. Diana é a perfeita dor de cabeça para as forças de autoridade, nomeadamente para Augusto (Paulo Pires), inspector da PJ, que reserva uma certa obsessão por ela, iniciando assim um arriscado “jogo de gato e rato“.

Uma cara conhecida do público português por seus trabalhos, quer na televisão, quer no cinema (um dos melhores exemplos do seu contributo na Sétima Arte foi a condecorada obra de Raoul Ruiz, Mistérios de Lisboa, inspirado numa obra de Camilo Castelo Branco), Maria João Bastos regressa em forma ao grande ecrã sob a pele de uma personagem ambígua. Diana, uma mulher à margem da lei que, ao mesmo tempo, reserva alguns sentimentos nobres para com os habitantes do bairro que orgulhosamente protege. A sua caminhada nas “trevas” do crime foi originada por instintos de vingança e de descriminação social.

Sendo esta, a primeira vez que trabalha com Moita Flores, num projeto que ela afirma ter encarado com “entusiasmo“, a atriz revela a intensa preparação física que teve que adquirir para a criação do seu papel. Para tal, ela contou com o apoio de David Chan, o mais conceituado duplo português, que lhe direcionou um plano de treino que consistiu em aulas diárias de luta, cerca de 4 horas de ginásio e condução perigosa. A atriz teve que controlar a sua dieta e as até mesmo as horas que dormia para se manter fisicamente saudável e resistente para a carga físicas que a sua personagem iria suportar.

Grande Elenco

Para além dela, O Bairro é composto por um elenco de luxo que vai desde o elogiado Carloto Cotta, conhecido internacionalmente pelo seu papel no aclamado Tabu, de Miguel Gomes, mais Afonso Pimentel, João Lagarto, Virgílio Castelo, Rui Unas e Margarida Moreira (maioritariamente atriz de teatro e irmã gémea de Anabela Moreira, conhecida pelo seu frequente trabalho com a realizador João Canijo). Segundo Moreira, mesmo não escondendo o seu fascínio pelos palcos, o qual considera esse mesmo trabalho como uma “construção mais lenta e dolorosa, baseada em sangue e suor“, realça a importância de uma atriz profissional querer o alcance em todos os formatos, neste caso o cinema e a televisão.

Por fim, tendo como nemesis da personagem Diana, Paulo Pires desempenha um inspetor da PJ obsessivo e “pouco convencional“, Augusto que, tal como a protagonista, é uma figura ambígua. O ator, que recentemente entrou noutro policial à portuguesa, Quarta Divisão, de Joaquim Leitão, referiu o contraste em desempenhar duas personagens em diferentes lados da lei. Enquanto na obra anterior interpretava o criminoso propriamente dito, em O Bairro é a força da lei, um papel há muito desejado pelo ator que já havia contracenado com Maria João Bastos em Mistérios de Lisboa. Pires ainda afirmou que o maior trunfo desta nova produção da Plural está no seu “ritmo” e ainda acrescenta que “a edição faz milagres, porque o ritmo não desaponta“.

Moita Flores

O criador da história, Francisco Moita Flores, é autor de diversos romances e guiões para variadas séries e telenovelas, que aventura-se na sua primeira longa-metragem. Contudo, O Bairro não foi inicialmente idealizado para ser exibido no grande ecrã, mas sim no pequeno. Após ter completado o seu último livro, “O Bairro da Estrela Polar”, que fora lançado em novembro de 2012, o antigo inspetor da Policia Judiciaria encontrava-se envolvido num projeto televisivo tendo como base a sua obra literária.

Fruto de 30 anos de escrita e na sua experiência em dezenas de casos o qual trabalhou no seu tempo de força de autoridade, Moita Flores anuncia O Bairro como “uma caminhada ao longo da carreira“. De momento o autor escreve um romance histórico que tem como base a pena de morte em Portugal.

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