A Sangue-Frio: psicopatas e motas de neve

(Fotos: Divulgação)

História em moldes clássicos que reúne uma diversidade de personagens, muito dos quais amorais e contraditórios, numa sucessão de crimes e perseguições sob furiosas intempéries geladas. As coisas não correram bem ao trio de assaltantes de um casino: em plena fuga, acabam por sofrer um acidente, vitimando um deles. Restam os irmãos Addison (Eric Bana) e Liza (Oivia Wilde), que separam-se para melhor fugir – dando início a diferentes via crucis pela floresta gélida. Enquanto o destino de Addison é cada vez mais violento, o de Liza depara-se com o recém-saído da prisão Jay (Charles Hunnam), que vai tentar seduzir para que ele a leve até a fronteira do Canadá. Mais alguns personagens acrescentam conflitos secundários a estas histórias.

Sem medo de morrer

Já se relataram muitas formas estranhas de como surgiram ideias (brilhantes ou não), mas esta estará entre as mais pitorescas. Segundo o argumentista estreante Zach Dean, tudo aconteceu num voo bastante complicado onde uma avaria fez com que o avião onde viajava ficasse mais de três horas a andar em círculos até conseguir pousar. Se para o comum dos mortais o mais normal é morrer de pânico na hora e tentar esquecer depois, para Dean foi uma experiência rica e passível de ser trabalhada literariamente – onde a proximidade da morte lhe trouxe a reconfortante ideia de família – o tema central deste Deadfall. E aí partir daí surgiram os personagens.

Bonecos de neve

Quem adorou a abordagem foi Eric Bana. Ele tem vindo a reiterar em entrevistas que o argumento lhe pareceu tão bom quando o leu a primeira vez que nem sequer solicitou ajustes – algo que lhe ocorre frequentemente. Já Olivia Wilde disse a We Got This Covered que a sua personagem lhe permitia transitar entre dois tipos bastante diferentes – uma adulta que se conserva criança em espírito, sempre à espera de proteção (na relação com Addison) e uma relação que lhe permita tornar-se uma mulher – o seu súbito affair com Hunnam.

 

No mais, parece que toda a gente adorou a neve. Wilde achou-a fascinante, pois permite esconder coisas (pistas) com a mesma facilidade com que revela outras. Nem ela nem Bana se importaram com o frio e com as poucas peças de roupa que utilizaram em algumas cenas. Para ele, é preferível passar frio a lidar com verdadeira neve do que ficar confortavelmente a assistir a queda de neve falsa. Hunnam também gostou – pois a quantidade de roupas que teve de usar serviram para esconder o quão magro ele é…

As perseguições das motas

O filme teve lançamento bastante limitado nos Estados Unidos, indo logo para o mercado de Home Video. Entre os críticos, elogios da Variety, para qual os elementos tradicionais fazem o filme transitar positivamente por caminhos cada vez mais raros no cinema atual, críticas do New York Post (“Não há nada que já não se tenha visto antes – e melhor – sendo indicado para apenas para fãs de perseguições de motas de neve“).

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