«Rise of the Apes» e o seu (não) encaixe na saga «Planet of the Apes»

(Fotos: Divulgação)
«Rise of the Planet of the Apes» de Rupert Wyatt (« The Escapist») é o segundo ‘reboot’ da saga Planeta dos Macacos, não sendo nem um ‘remake’ do 4º filme da série («Conquest of the Planet of the Apes»), nem uma prequela do filme do Tim Burton ao contrário do que tem vindo a ser muitas vezes noticiado.
Vamos tentar esclarecer onde não encaixa a história deste novo filme de uma das sagas mais queridas e místicas da ficção científica cinematográfica, que estreia em Portugal dia 11 de Agosto.
 

«Rise of the Planet of the Apes» (2011)

 
A acção passa-se em 2011, e tem um cientista (James Franco) que está à procura de uma cura para o Alzheimer. Na sua pesquisa, ele usa uma macaco chamada Caesar que vai desenvolvendo capacidades intelectuais e emocionais com os testes e a medicação.
Evoluído e inteligente, Caesar acaba por se revoltar contra a humanidade por toda a sua violência e crueldade (contra ele mas também contra o mundo) e lidera uma revolta com outros macacos a quem ele próprio deu “a cura” que os tornou inteligentes.
 

«Conquest of the Planet of the Apes» (1972)

A acção do primeiro e segundo filme é passada no futuro, onde os macacos são inteligentes e dominam a Terra. Os humanos são escravos já há tantas gerações que não sabem falar e são totalmente submissos.
No terceiro filme da série, «Escape from the Planet of the Apes», seguimos como dois macacos inteligentes (Cornelius e Zera) viajam do futuro para o presente (anos 70) e entram em contacto com o mundo dominado pelos humanos.
No quarto filme, «Conquest of the Planet of the Apes», uma doença estranha mata todos os cães e gatos. A humanidade vive agora num sistema totalitário que adopta os macacos como animais de estimação e ensina-os a fazer tarefas domésticas. Rápidamente, a situação evolui para a escravatura.
César, o filho de Cornelius e Zera, é descente dos macacos inteligentes de futuro e sabe falar. Ele vive escondido num circo mas quando o governo descobre da sua existência, força a ser professor dos macacos em aulas de disciplina e competa. Revoltado, César usa esta posição para ensinar os macacos a dizer não e revoltarem-se contra os humanos.
 
Diferenças face ao novo filme:
 
O protagonista de «Rise» também se chama César e lidera os macacos numa revolta, mas todo o contexto é radicalmente diferente.
O César da saga original era inteligente desde a nascença porque descendia dos macacos do futuro que viajaram para o presente no segundo filme. E os demais macacos ganham inteligencia através da transmissão de conhecimento, e não com drogas como no novo «Rise of the Planet of the Apes».
 
 

«Planet of the Apes» (2001)

 
O ‘remake’ de Tim Burton não é passado na Terra mas sim num planeta misterioso e remoto. Estamos em 2029, quando um grupo de astronautas sai numa missão e acidentalmente entra numa tempestade cósmica.
Eles despenham-se num planeta governado por macacos, bélicos e brutos, no ano de 5021.
O comandante dos humanos descobre que os macacos que surgiram no planeta são descentes de Pericles, um macaco astronauta que estava numa sonda que os acompanhava mas que se despenhou no mesmo local, milhares de anos antes.
 
No final, o heroí regressa à Terra do presente (2029) apenas para descobrir que os macacos agoram governam a Terra. E já o deviam fazer há muito tempo pois o memorial de Lincoln tem agora um macaco.
 
Diferenças face ao novo filme:
 
O filme de Burton claramente não encaixa na série original (a origem dos macacos é diferente e a própria mitologia também). Mas este «Rise» ainda encaixa menos neste filme de 2001.
 
Os macacos de Burton são grandes e fortes, fisicamente diferentes dos da série original e de «Rise». A sua origem não é laboratorial como os de «Rise», e o encaixe temporal do filme é “impossível” neste novo considerando o final (que sugere o surgimento dos macacos inteligentes na Terra há centenas de anos atrás) ou ignorando o final (onde eles apenas existem num planeta próprio).
 
José Pedro Lopes 

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