No final de mais um doclisboa, muitas dúvidas se levantam: se Rui Simões, o realizador português, disse na apresentação do seu filme, “Kola San Jon”, que o cinema português está a desaparecer, ao mesmo tempo, dois realizadores portugueses independentes, Gonçalo Tocha e Aya Koretsky, parecem mostrar que há futuro para o cinema nacional. O que poderemos esperar do futuro do cinema em Portugal?
Nem só a crise que ameaça o cinema: no ano em que um dos filmes teve de ser contrabandeado numa pen escondida dentro de um bolo e outro foi roubado duas vezes dos escritórios da produtora, o panorama político também parece adverso.
Os próximos anos serão cruciais para a produção e divulgação de documentários e o doclisboa poderá ter um papel importante. Este ano cumpriu o que lhe é exigido, apesar da diminuição dos filmes exibidos e das sessões, tivémos acesso a documentários que nos deram uma boa imagem do que é a actualidade e também do passado, com retrospectivas importantes de dois realizadores importantes, Jean Rouch e Harun Farocki.
Com o consumo de produtos culturais a diminuir, as sessões do festival esgotaram frequentemente, com o filme que ganhou a competição internacional, “É na Terra Não é na Lua”, a esgotar as três sessões em que foi exibido, apesar das três horas de duração. O que levanta uma nova questão: com as salas de cinema a perderem mais de 800 mil espectadores nos últimos 3 anos, porque enchem as salas durante os festivais?
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