Começa hoje o IndieLisboa’11

(Fotos: Divulgação)
Começa hoje a 8ª edição do IndieLisboa’11,  a decorrer de 5 a 15 de Maio nos cinemas São Jorge, no Teatro do Bairro Alto, na Culturgest e na Cinemateca.
 
Apesar dos cortes orçamentais, que implicaram menos salas, menos filmes e menos convidados, esta edição do festival lisboeta aposta numa programação sólida, onde o grande homenageado, ou herói independente, é o realizador Júlio Bressane.
 
O «desenho» do certame mantém-se no que respeita às suas secções oficiais (Competição Internacional, Observatório, Cinema Emergente, Pulsar do Mundo e IndieJúnior) e parelelas (Director’s Cut, IndieMusic e Sessões Especiais).
 
Neste dia de inauguração, há que destacar algumas obras:
 
A primeira é «Carlos», de Olivier Assayas, uma viagem ao universo de Carlos, «O Chacal». Figura chave do terrorismo internacional dos anos 70 e 80, «Carlos» centra-se no activismo de uma personagem simultaneamente associada à extrema-esquerda e considerado um mercenário oportunista ao serviço dos serviços secretos de diversos governos. Mas esta é também uma viagem a uma época, tão idealista como violenta, e onde a cortina de ferro separava dois mundos onde figuras como Carlos eram usadas como peões em nome de causas. Terrorista? Mercenário? Idealista? Tudo isto é colocado em discussão num filme onde a manipulação é elemento chave.
 
Já na Sessão de Abertura será apresentado «Les Amours Imaginaires», de Xavier Dolan, filme que estreará nas salas de cinema daqui a duas semanas. Nesta obra seguimos, de forma estilizada, «um triângulo amoroso entre dois melhores amigos, Francis (o próprio realizador) e Marie, perdidamente apaixonados por Nico, um jovem loiro de caracóis, moderno Casanova parecido com Tadzio de «A Morte em Veneza», de Visconti. Nico torna-se imediatamente o objecto de desejo e desespero de uma infindável luta pela conquista. Uma competição amorosa entre três jovens sexualmente preparados prontos para serem derrotados pelo seu próprio melodrama». Esta é uma overdose de estética, visual e sonora, onde cenas de entrevistas a imitar as “talking heads” típicas de documentários, se misturam com o avançar da narrativa principal e com cenas de música. 
 
 
 
De notar que este é um regresso de Dolan ao IndieLisboa, depois de em 2010 ter impressionado com o seu «J’ai tué ma mère».
 
Finalmente, e como destaque, realce também para «Rubber», um trabalho de Quentin Dupieux, mais conhecido na cena musical como Mr. Oizo. No filme, «um grupo de pessoas é convidado a assistir com binóculos a um filme “ao vivo”, em pleno deserto californiano. Mas quando a acção do filme se aproxima delas à velocidade de um pneu que ganha vida para matar, este projecto torna-se, na realidade, um filme de terror» muito inspirado nos trabalhos do anos 70. No final de contas, o filme de Dupieux tem muito por onde se olhar e algumas sequencias de verdadeiro humor, sendo acima de tudo um trabalho «non sense» brilhantemente fotografado e que deixa a marca de um cineasta que vai dar que falar no cinema.

Uma nota final ainda para a festa de abertura do IndieLisboa’11 que vai prosseguir no Teatro do Bairro Alto com o alto patrocínio da Jameson.
Destaques:
 
«Carlos» : 21:15, na Culturgest (Trailer)
«Les Amours Imaginaires»: 21:30, no São Jorge (Trailer)
«Rubber»: 21.30, no Teatro do Bairro Alto (Trailer)

Para mais detalhes do dia de hoje, clique aqui. Podem acompanhar a nossa cobertura do IndieLisboa’11 neste link.

Jorge Pereira

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