De grande visionário do cinema europeu a “persona non grata” para um dos maiores festivais de cinema do mundo, assim se resume muito brevemente o percurso do talentoso e polémico cineasta dinamarquês Lars Von Trier, cujo “Melancolia” é o seu trabalho mais recente.
As Origens
Lars Trier nasceu em Copenhaga em Abril de 1956, no seio de uma família de intelectuais que lhe proporcionou uma educação pouco ortodoxa. Desde muito cedo, o jovem Lars teve nas suas mãos o livre arbítrio para decidir o que queria fazer da sua vida. Em algumas entrevistas, o realizador abordou a sua infância onde emoção e religião eram temas tabus, garantindo que a sua liberdade, embora positiva, lhe trouxe uma incessante necessidade de controlar toda à sua volta.
O gosto pelo cinema nasceu aos 10 anos de idade, com uma câmara Super 8, onde realizava curta metragens do dia-a-dia. A entrada na Escola Dinamarquesa de Cinema trouxe ao realizador novas possibilidades de explorar a sua visão.
Adverso às convenções instaladas, e com uma visão muito particular do que é cinema, Trier entrava frequentemente em atritos com a maioria dos professores. No entanto, os seus trabalhos muito próprios ganharam destaque entre as produções académicas. É igualmente aqui que ganha o apelido “Von”, uma alcunha dada pelos colegas que garantiam que Lars Von Trier era um nome mais “digno” para um realizador.
Os Primeiros trabalhos
Deu pela primeira vez nas vistas em 1984 com “Forbrydelsens Element”, a sua primeira longa-metragem. O filme acabaria por conquistar um prémio técnico no Festival de Cannes, e marcaria a longa relação de Trier com o certame francês, e que agora parece encerrada de vez. Lars Von Trier era agora um nome a ter em conta no panorama cinematográfico europeu.
Na década de 80 lança apenas mais dois filmes, “Epidemic”, em 1987 e “Medea”, em 1988, ambos sem grande sucesso.
Apresentou “Europa” em 1991. Mas uma vez Cannes reconheceu-lhe o talento e atribuiu à obra três prémios: Grande Prémio do Júri, Melhor Contribuição Artística e mais um prémio técnico. Diz-se que foi também depois deste filme que Trier foi sondado por Steven Spielberg para prosseguir a sua carreira em Hollywood, mas que recusou.
Europa
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