Protagonista de dois dos filmes que têm marcado o início do Festival de Cannes, “L’intéret d’Adam”, na Semana da Crítica, e “Dossier 137”, na corrida à Palma de Ouro, a francesa Léa Drucker é já um dos grandes nomes a saltar para as manchetes dos jornais que seguem certame. E seja no papel de uma enfermeira-chefe ( “L’intéret d’Adam”), que tem de ajudar a curar uma criança desnutrida e a mãe dela, claramente com problemas de saúde mental, ou como uma agente da polícia francesa que investiga eventuais abusos de poder e violência perpetrados pelos colegas (Dossier 137), Léa aplica a mesma base: ela quer participar em filmes onde representa alguém que luta por algo.
“Quero personagens que passem um mau bocado, mas continuem a lutar”, disse a atriz conhecida por filmes como “Custódia Partilhada” e “No Verão Passado”. “Não sei se o cinema pode mudar o mundo, mas ver um filme que é muito realista e muito bem documentado deu-me um pouco de esperança das pessoas lutarem pela verdade e pela justiça. Como Lucy, a enfermeira, ela está no lado certo da sociedade, pois está a tomar conta de pacientes e o seu trabalho é ajudar a curar pessoas. Enquanto isso, ela procura resolver problemas que surgem com a burocracia. Ela luta com os limites que o sistema lhe impõe. Para a agente da polícia que investiga outros polícias, é um problema. Eles não são bem vistos pelos colegas. Se falarmos com o cidadão comum, ele vai dizer que esses polícias só existem para proteger os colegas. Não são populares e estão numa zona sombria. É muito interessante fazer uma personagem que saiu da brigada de narcóticos e juntou-se a este departamento que investiga a ação dos colegas. Objetivamente, ela quer fazer bem o seu trabalho, seja num lado ou noutro. Quer justiça e quer que a polícia tenha uma boa imagem para que os cidadão confiem neles. Dá-me sempre esperança ver pessoas que procuram uma rota para a verdade e justiça num sistema complexo”.
Qualquer um dos papeis exigiu uma grande entrega por parte da atriz, que falou diretamente com profissionais de saúde e agentes da polícia para preparar o seu papel: “Nunca poderia ter feito estas personagens sem conversar com as enfermeiras e investigadores desse departamento. Mesmo que os guiões estivessem muito bem documentados, as conversas que tive com estes profissionais foram essenciais. No caso das enfermeiras, entender como têm pausas de 30 minutos, vivem a comer sandes durante o dia, isso quandohá tempo para isso. Sempre soube que as filmagens seriam exaustivas, e quando estava cansada nas filmagens, depois de 30 takes numa cena, sabia que estava com o espírito certo para atuar naquele papel. E estamos a falar de enfermeiras já com 50 anos. Não podia me queixar da exaustão de umas filmagens quando olho para o trabalho das enfermeiras e sei que é bem mais duro”.
O Festival de Cannes prossegue até dia 24 de maio.


