Paolo Cognetti e a montanha

(Fotos: Divulgação)

Após o sucesso do seu livro “As Oito Montanhas” (2017) e do filme homónimo (2022) que  Felix Van Groeningen e Charlotte Vandermeersch (Prémio do Júri em Cannes) realizaram em 2022, o romancista italiano Paolo Cognetti embarcou num projeto cinematográfico que acaba de ser exibido numa sessão pré-festival de Locarno. “Fiore Mio” (“A Flower of Mine”) é um regresso à montanha de Cognetti, que a partir da secura de uma fonte na sua casa em Estoul, uma pequena aldeia a cerca de 1700 metros acima do vale de Brusson, parte numa aventura  pelas belas montanhas, paisagens e glaciares, destinados a desaparecer ou a mudar para sempre em resultado das alterações climáticas. 

Na companhia do seu inseparável cão, Laki, e contando a história da sua montanha nos mesmos moldes das “Trinta e seis vistas do Monte Fuji“, duas série de gravuras em madeira criadas pelo artista Ando Hiroshige que retratam o monte Fuji, no Japão em diferentes estações do ano e condições climatéricas a partir de diferentes localizações, Cognetti tem uma abordagem ecológica, antropológica, geomorfológica e existencial sobre as paisagens alpinas, questionando as marcas que ficam – no terreno e quem lá vive – quando um glaciar desaparece.

Recorrendo ao diretor de fotografia Ruben Impens (que também trabalhou nas “As Oito Montanhas” de 2022), Cognetti consegue trazer todo o esplendor das paisagens e toda a imensidão de formações geológicas que colocam o ser humano perante a sua pequenez. É depois na conversa com estes homens e mulheres que Cognetti consegue “descrever a vida [na montanha] que flui a vários níveis“, não deixando mensagens alarmistas para o planeta, nem excessivamente didáticas, mas que servem de alerta para o Homem, esse sim, ameaçado de extinção. 

Oficialmente, o Festival de Locarno arranca esta quarta-feira, 7 de agosto, com a estreia mundial de “Le Déluge” ( O Dilúvio) na Piazza Grande da cidade suíça.

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