Mohammad Rasoulof é premiado pela Fipresci e pelo Júri Ecuménico de Cannes

(Fotos: Divulgação)

Ganhador do Prémio da Crítica (dado pela Fipresci, a Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica) e do Prêmio do Júri Ecuménico no Festival de Cannes de 2024, Mohammad Rasoulof explicou que o filme “The Seed of The Sacred Fig” quase foi interrompido por uma decisão judicial do Irão, que o condenou à prisão. O cineasta conseguiu escapar para a Europa antes de ser detido e deixou o filme pronto para a inscrição em mostras competitivas, entre as quais a disputa pela Palma de Ouro.

Não tenho medo da intimidação. As forças que me ameaçam são incapazes de ir além do terror, que é sua única arma”, disse o cineasta no encontro com a imprensa de Cannes. “Ao saber através do meu advogado qual seria o meu destino, fui a casa, despedi-me das minhas plantas, que são muitas, e parti. Mas eu carrego um Irão na sua essência dentro de mim”.

Laureado com o Urso de Ouro em 2020 por “There Is No Evil”, Rassoulof narra em “The Seed of The Sacred Fig” a saga da dissolução de uma família conforme o pai, um investigador, embarca num processo de paranoia. Quando a arma que leva para casa, a fim de se defender de potenciais inimigos, desaparece, ele passa a desconfiar das suas duas filhas e de sua mulher. A partir daí, ele embarca numa espiral de loucura que põe os parentes em risco.

O Mal é um lugar comum no meu filme, e no meu cinema, que serve de metáfora para um individuo que tenta sobreviver a uma dimensão sociológica de desespero”, disse o cineasta, que antes de fechar o filme, deixou instruções para que sua equipa não parasse. “Se fosse preso, eles teriam que continuar a produção. Essa história precisava ser contada”.
Segundo Rasoulof, a República Islâmica é capaz de qualquer coisa. “É uma cultura submetida à tirania”, disse. “Temos que falar de religiões sob o prisma da ideologia política. Este é um filme sobre doutrinação”.

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