“‘Monster’ é um filme sobre a palavra que falta para expressar o que sentimos’, diz Hirokazu Koreeda

(Fotos: Divulgação)

Cinco anos depois de ter conquistado a Palma de Ouro, com “Shoplifters“, o realizador japonês Hirokazu Koreeda volta à Croisette em concurso e parece ter encantado o balneário como um todo com “Monster“. É um filme no qual um menino numa fase difícil no seu processo de maturidade, Minato (Soya Kurosawa), passa a misturar rebeldia e fúria, numa reação ao turbilhão de emoções que o assola desde a morte do pai. Há bullying, há o alerta contínuo de um acidente climático (no caso, uma tempestade), uma paixão LGBTQIA+ bem silenciosa, debates sobre reencarnação e uma mãe desesperada, vivida por Sakura Ando.

No encontro com a imprensa em Cannes, Koreeda destacou o cuidado na direção de seu elenco de crianças.
Construo personagens jovens baseadas na personalidade de quem vai encarná-los, tentando deixar os intérpretes bem à vontade para agir de uma fora natural. Para isso, sempre pergunto como se sentem e como gostariam de agir numa determinada cena“, disse Koreeda ao C7nema, antes de comentar sobre a dimensão queer do filme: “Muitos filmes japoneses recentes têm abordado esse tema. Mas o que tentei foi tratar da questão a partir da luta interna de um menino para entender o que está a acontecer com ele. É um filme sobre a palavra que falta para expressar o que sentimos”.

O Festival de Cannes segue até o dia 27.

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