Os primeiros sucessos da Mostra de São Paulo 2023

(Fotos: Divulgação)

Desde que abriu as suas portas, na quarta-feira, com uma projeção de “Anatomie d’Une Chute” (a Palma de Ouro deste ano), a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo já consagrou, em terras brasileiras alguns potenciais filmes de culto. De olho na História, a maratona audiovisual da maior metrópole do Brasil projeta nesta segunda-feira a cópia restaurada de “Vale Abrarão”, de Manoel de OliveiraHá 30 anos, o mais consagrado realizador de Portugal, que morreu em 2015, foi laureado pelo Júri da Crítica do festival paulistano por este monumental estudo sobre a resistência do amor ao fluxo do tempo. A sua atual exibição vai ocorrer no Espaço Itaú Frei Caneca, às 14h (19h em Lisboa). Mas a Mostra está sempre atenta ao presente, e ao futuro. Eis os títulos que já se destacaram no evento:

VAMPIRE HUMANISTE CHERCHE SUICIDAIRE CONSENTANT, de Ariane Louis-Seize: Um dos principais destaques do Canadá em 2023, este thriller de género foi laureado na Jornada dos Autores do Festival de Veneza. Na sua trama de tons fantásticos, Sasha é uma jovem vampira com um sério problema: ela é sensível demais para matar. Desesperados, os pais da garota cortam o seu suprimento de sangue e, assim, ela percebe que sua vida está em perigo. Até que Sasha conhece Paul, um adolescente solitário com tendências suicidas e que está disposto a perder a vida para a salvar. Mas esse acordo entre os dois logo se transforma em uma espécie de busca através da noite para realizar os últimos desejos de Paul antes do amanhecer.

OR DE VIE, de Boubacar Sangaré (Burkina Faso): Preocupado com os efeitos da mineração sobre a vida de adolescentes que se entregam ao trabalho precocemente, o realizador deste documentário acompanha a rotina de um rapaz de 16 anos em uma mina de 100 metros onde ele se enfia, dia a dia, atrás do sonho de encontrar ouro.
  
O ESTRANHO, de Flora Dias e Juruna Mallon (Brasil): Em um território indígena funciona o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Centenas de milhares de passageiros o atravessam diariamente e 35.000 trabalhadores apoiam sua operação. Esse filme segue personagens cujas vidas se cruzam no dia a dia do trabalho neste chão. Alê (Larissa Siqueira), uma funcionária da pista cuja história familiar foi sobreposta pela construção do aeroporto, conduz a plateia por encontros através dos tempos.

RAZÕES AFRICANAS, de Jefferson Mello: 
Um retrato intimista e musicalmente profundo que traça o resgate da identidade de três géneros musicais que são legados do continente africano: o blues, do Mississipi, a rumba, de Havana, e o jongo, do Rio de Janeiro. A partir da diáspora africana, o documentário investiga o berço comum e as particularidades geográficas e instrumentais desses três ritmos musicais consolidados mundialmente. O realizador percorreu seis países —Angola, Congo, Mali, Brasil, EUA e Cuba— para desbravar a ancestralidade no blues, na rumba e no jongo pelo olhar e pela história das três personagens principais.

“LA BÊTE DANS LA JUNGLE”

HE BIAN DE CUO WU, de Wei Shujun: Um dos destaques da mostra Un Certain Regard de Cannes. O enredo desenrola-se na cidade de Banpo, no interior da China, durante a década de 1990. lá, o corpo de uma mulher é encontrado na beira de um rio. Ma Zhe, o chefe de polícia, comanda a investigação desse assassinato, que rapidamente resulta na prisão de um suspeito. Enquanto os superiores de Ma Zhe planeiam divulgar o sucesso da missão, o surgimento de outras pistas obriga o policia a se aprofundar no comportamento secreto dos habitantes de Banpo.

LA BÊTE DANS LA JUNGLE, de Patric Chiha: Livremente adaptado do livro “A Fera na Selva”, de Henry James, o filme fez barulho na sua passagem pela Berlinale, onde demarcou a força do cinema francês contemporâneo. A trama acompanha um casal que frequenta um clube noturno por 25 anos, de 1979 a 2004, na expectativa de um misterioso acontecimento. Do disco ao techno, eles testemunham importantes factos globais: a crise da AIDS, a queda do Muro de Berlim, o ataque às Torres Gémeas. Até que o misterioso evento acontece, de uma forma muito mais trágica do que se esperava.

ANIMAL, de Sofia Exarchou: Ateniense de berço, na ativa desde 2006, a cineasta grega mexeu com os brios do 76. Festival de Locarno, na disputa pelo Leopardo de Ouro, ao retratar um universo plasticamente exuberante, porém apodrecido na sua espinha dorsal: o negócio dos resorts turísticos. Ela narra o lodaçal que cerca o quotidiano de uma mulher, Kalia (Dimitra Viagopoulou), ligada à indústria grega do turismo.

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