Arranca o Festival de Mar Del Plata

(Fotos: Divulgação)

Criado em 1954 com o intuito de servir de montra sul-americana para superproduções estrangeiras e para as novas vozes de autor do audiovisual, o Festival de Mar Del Plata – que decorre na segunda maior província de Buenos Aires, localizada numa região costeira a 415 km da capital da Argentina – firmou o seu prestígio como uma das mais relevantes mostras de cinema do mundo, tendo sido responsável pela popularidade do realizador sueco Ingmar Bergman antes de os franceses descobrirem a sua força existencial.

Fundado por Jesus Miller, o evento chegou a ser visitado por Mary Pickford, Gina Lollobrigida, Edward G. Robinson e Errol Flynn na sua primeira fase, interrompida em 1970. A interrupção foi efeito da ditadura argentina, das crises económicas que a acompanharam e das que a sucederam. Em 1996, retomou a atividade com direito à entrega do prémio Ástor, a Palma de Ouro porteña, batizada em homenagem ao músico Ástor Piazzolla. Lá começou o namoro da América do Sul com uma série de filmografias dignas de culto, como a de Elio Petri. De lá, “Jules et Jim” pedalou glorioso, em 1962, até o coração dos fãs locais de Truffaut. E até João César Monteiro saiu de lá galardoado, em 1999, por “As Bodas de Deus“.

Empire of Light“, de Sam Mendes

A partir desta quinta, começa a ser escrito um novo capítulo da história deste festival que colocou os holofotes internacionais sobre o cineasta e dramaturgo brasileiro Domingos Oliveira – ao laurear “Separações“, em 2002, consagrando um dos mais queridos realizadores do Brasil. De 3 a 13 deste mês, longas e curtas-metragens do mundo todo serão exibidos em Mar Del Plata na 37. edição do festival. Para a abertura foram escolhidos “Empire of Light“, de Sam Mendes; “As Bestas“, de Rodrigo Sorogoyen; e “Fumer Fait Tousser“, de Quentin Dupieux.

Já no fim de semana de abertura, haverá uma homenagem a Jean-Luc Godard e uma projeção do sucesso comercial argentino do momento: “30 Noches Com Mi Ex”, uma comédia assinada pelo ator Adrián Suar que fez sorrir o circuito exibidor da sua pátria com um box-office invejável. Centrada em lutas de casais, o filme é estrelado por Pilar Gamboa e Suar. Existe uma sessão da fita no evento este sábado, no mesmo dia em que o festival projeta o vencedor do Urso de Ouro de Berlim: “Alcarràs”, da catalã Carla Simón. Lá estará também um potencial concorrente ao Oscar de 2023: a animação “Pinóquio”, de Guillermo Del Toro. Sucesso absoluto na Amazon Prime, o candidato dos argentinos a uma vaga na disputa pela estatueta de Melhor Filme Internacional na Festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vai ser exibido por lá também: “Argentina, 1985”, com Ricardo Darín.

Na competição oficial do evento – que tem no júri a atriz Dolores Fonzi, os realizadores Alexandre Koberidze e Joe Swanberg, a programadora Inge Stache, e jornalista Alberto Lechuga -, Portugal está também presente com “O Trio Em Mi Bemol”, de Rita Azevedo Gomes, e com Claudia Varejão e o seu “Lobo e Cão“. O Brasil também está, com “Saudade Faz Morada, Aqui Dentro”, de Haroldo Borges. Concorrem com eles títulos dos EUA (“How To Blow Up a Pipeline”, de Daniel Goldhaber, e “There There”, de Andrew Bujalski); da Bolívia (“Los de Abajo“, de Alejandro Quiroga); e da Suíça (“Réduit”, de Leon Schwitter), entre outros países.

Vencedor do IndieLisboa, “Mato Seco em Chamas”, rodado em zonas tensos do Distrito Federal por Joana Pimenta e Adirley Queirós, também está na seleção de Mar Del Plata, assim como “Filme Particular”, de Janaina Nagata.
Há encontros marcados com cineastas de autor como Patricia Mazuy (“Bowling Saturn”) e John McTiernan (“Die Hard”) e com atriz Cecilia Roth (de “Todo Sobre Mi Madre“). No Panorama Internacional, estão filmes como “Walk Up”, do sul-coreano Hong Sangsoo, e “Un Beau Matin”, da francesa Mia Hansen-Løve.

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