Discurso de Tilda Swinton aquece o arranque da Berlinale

(Fotos: Divulgação)

Foi com um discurso poderoso que a atriz Tilda Swinton recebeu esta quinta-feira, 13 de fevereiro, o Urso de Ouro pela sua carreira, a qual levou um grande impulso em 1986, após a exibição no Festival de Berlim de “Caravaggio”, de Derek Jarman.

© Jens Koch

Sem nunca pronunciar as palavras Palestina ou Gaza durante a cerimónia de abertura do evento, Swinton falou da “espantosa selvajaria do assassínio em massa, perpetrado pelo Estado e possibilitado internacionalmente, algo inaceitável para a sociedade humana”. “Estes são factos”, prosseguiu: “O desumano está a ser perpetrado no nosso turno. Estou aqui para o nomear e para prestar a minha solidariedade inabalável a todos aqueles que o reconhecem. Os assassinatos em massa perpetrados pelo Estado e permitidos internacionalmente estão atualmente a aterrorizar ativamente mais do que uma parte do nosso mundo.”

Além de abordar o extremismo político, a degradação ambiental e a ascensão do autoritarismo no mundo, a escocesa falou ainda do cinema como “um reino ilimitado, intrinsecamente inclusivo, imune a esforços de ocupação, colonização, aquisição, propriedade ou desenvolvimento de propriedades na Riviera“, numa clara referência aos planos de Donald Trump para Gaza. As plataformas de streaming não foram esquecidas, salientando a atriz a necessidade destas apoiarem mais as infraestruturas cinematográficas, das quais beneficiam.

Já sobre a sua ligação à Berlinale, que inclui a presidência do júri em 2009, a atriz diz que o certame é o melhor que pode acontecer a “um jovem curioso sobre o mundo e como viver uma vida nele”.

Vencedora de um Oscar, Tilda Swinton viu 26 filmes onde participou chegarem à Berlinale, estando entre eles “A Praia” (2000), “Derek” (2008), “Julia” (2008), e “Last and First Men” (2020).

O Festival de Berlim prossegue até 23 de fevereiro.

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