O roubo de identidades tem fascinado particularmente o cinema, especialmente com a chegada do digital. Quando associado ao stalking, ainda antes o tema tinha sido abordado, em thrillers como “Single White Female”, ao qual este “Influencer” parece se encostar na era das redes sociais e do cinismo de vidas aparentemente perfeitas que escondem eternas solidões.

Assinado por Kurtis David Harder e passado na Tailândia, “Influencer” arranca com o foco em Madison (Emily Tennant), estrela deste mundo de aparências que, após se cruzar com CW (Cassandra Naud), uma jovem com o seu quê do Thomas Ripley que Patricia Highsmith criou na década de 1950, torna-se a primeira vítima de uma cruzada contra aqueles vivem das redes sociais. Depois dela, há mais vítimas, seja o namorado de Madison, que começa a estranhar a sua ausência física (nas redes sociais ela continua a publicar), seja Jessica (Sara Canning), uma outra influencer que parece um osso mais duro de roer.  

Um dos problemas constantes no cinema de terror com o dedo do streamer Shudder é uma construção precária das personagens, o que, associado a uma direção de casting e de atores muito pouco eficaz, deixa sempre para os seus filmes coxos na sua atmosfera, normalmente derivativa. Assim foi em “Influencer” no ano passado e assim foi este ano em “Bad Things” e “Birth/Ribirth”, onde mais que a eficácia própria dos filmes o que sobressai são as suas influências e ambições.

É que CW, apesar de papaguear sempre as mesmas palavras quando vai castigando as suas vítimas, algo como “ninguém vai se preocupar ou sentir falta se desaparecerem”, nunca agarra o espectador como uma vilã com hipóteses de escapar. Por isso mesmo, a previsibilidade e cópia da cópia das suas ações, nunca nos elevam para algo mais que o entretenimento básico.

No fundo, este é um filme que gostaria de ser um thriller psicológico com uma boa dose de crítica social e momentos de horror, mas que nunca explora verdadeiramente a mente por trás da vilã, dos seus atos e das suas vítimas, nem provoca uma verdadeira reflexão sobre as redes sociais e os influencers. No fundo, é algo para ver e esquecer, tal qual aquele post que tem milhares de likes num dia e todos esquecem amanhã.

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
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