Cannes celebra David Lynch com novo documentário

(Fotos: Divulgação)

Depois da homenagem, na forma de um tema cantado pela francesa Mylène Farmer na cerimónia de abertura da 78º edição do Festival de Cannes, ao segundo dia do certame, o tributo voltou a acontecer, desta vez através da exibição de um pequeno, mas rigoroso e incisivo novo documentário sobre o famoso cineasta, falecido em janeiro.

Eu queria ser pintor”, diz-nos Lynch logo no primeiro dos capítulos que o documentário de uma hora nos impõe, fazendo um percurso pela sua carreira, sem esquecer alguns pontos da vida pessoal. Na sala, antes da projeção começar, o realizador Stéphane Ghez explicou como o seu “Welcome to Lynchland” foi acompanhado bem de perto pelo próprio Lynch, que apenas “barafustou” pela curta duração do mesmo. Depois de Ghez, coube ao filho do falecido realizador, Riley Lynch, falar um pouco, sublinhando este a paixão que o pai tinha pelo Festival de Cannes, o qual chegou a visitar quando era mais pequeno. “Celebrei o meu 10º aniversário aqui. Foi a Sharon Stone que trouxe o bolo”, disse, entre risos da plateia – publico que depois ouviu Lynch no documentário dizer que nunca tinha querido ou pensado em ter filhos, mas que, olhando para trás, foi uma “prenda” que recebeu.

Recorrendo a múltiplas passagens dos seus filmes e séries, de “Eraserhead” a “Twin Peaks“, “Welcome to Lynchland” tenta decifrar alguns dos muitos enigmas da obra do cineasta, contando com entrevistas a alguns dos atores mais icónicos que passaram à frente da câmaras, como Kyle MacLachlan, Laura Dern, Naomi Watts e Isabella Rossellini, além de alguns críticos de cinema, da sua primeira esposa, Peggy Reavey, e a sua biografa, Kristine McKenna, que contribui para o documentário com insights extremamente relevantes para conectar David Lynch, os seus medos, paranoias e obsessões, aos seus filmes.

Recorde-se que David Lynch mantinha fortes laços com o Festival de Cannes. Para além de ganhar a Palma de Ouro em 1990 por “Coração Selvagem” e o prémio de melhor realizador em 2001 por “Mulholland Drive“, o cineasta foi presidente do júri em 2002. “Twin Peaks: Fire Walk with Me” e “The Straight Story” estiveram igualmente na corrida à Palma de Ouro em 1992 e 1999, além de “Twin Peaks” (2017), exibido numa sessão especial.

O Festival de Cannes prolonga-se até 24 de maio.

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