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«Weekend» por André Gonçalves

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Muito do chamado “cinema queer” tornou-se ironicamente convencional, com o passar dos anos. Se não são histórias de “coming out”/ “coming of age” com um final cor-de-rosa, são as mesmas histórias com um final trágico... 

Em 2005, “Brokeback Mountain” quebrou um pouco esse molde, contando uma história nunca antes contada (embora partilhando os mesmos parâmetros), e conseguiu também sair do “gueto” do “cinema gay” para uma audiência mais ampla. Seis anos mais tarde, “Weekend”, com a sua visão assustadoramente realista de relações condenadas à partida, volta a romper barreiras, tornando-se facilmente num dos filmes mais honestos sobre relações (homo ou heterossexuais) alguma vez filmados. 

A história já a vimos anteriormente: duas pessoas conhecem-se e acabam por ter um tempo limitado para estar juntas. Neste caso, temos Russell e Glen, que se conhecem numa discoteca gay londrina, e que acabam por passar a noite juntos e desenvolvem uma ligação mais séria. O problema é que um deles parte para os Estados Unidos dois dias depois... 

Vem-nos à memória filmes como o díptico “Antes do Amanhecer/ Antes do Anoitecer”, mas aqui o “fator gay” torna tudo ainda mais tragicamente relevante do ponto de vista social, e não podemos deixar de pensar na quantidade de vezes que vemos esta mesma história a repetir-se à nossa volta, fora da visibilidade das câmaras e da sociedade em geral... 

Não se pense que, por estar mais centrado na realidade, “Weekend” não é um objeto profundamente romântico. O realizador Andrew Haigh filma este (des)encontro de uma maneira sempre colada à terra, com o “expertise” de um veterano, ajudado por performances igualmente naturalistas (do par-maravilha Tom Cullen e Chris New), mas há momentos aqui verdadeiramente mágicos – de realização, de diálogos, de olhares... Uma magia que só ajuda ao impacto arrebatador no final. Absolutamente imperdível, se tivermos a sorte de algum distribuidor nacional pegar nisto de uma vez por todas...
 

 
 André Gonçalves
 


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