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Festa do Cinema Italiano - entrevista: «Easy» e uma viagem “nada facile”

O filme esteve em Competição na Festa do Cinema Italiano cuja fase lisboeta termina hoje (12/04) e que segue pelo país afora nas semanas seguintes. O realizador Andrea Magnani discorreu ao C7nema sobre o complicado processo de realização do filme e sobre a criação das várias situações cómicas e caricatas exibidas neste singular ‘road movie’.

Do interior de casa para a imensidão, do trajeto conhecido do quarto para a cozinha para as paisagens desconhecidas da remota Ucrânia – frequentemente sem direções e sem entender ninguém. Esse é o processo de Isidoro (o Easy do título, vivido por Nicola Nocella). Após 14 anos deprimido e a viver com a mãe, viciado em pílulas e comida, ele subitamente é atirado numa missão decididamente impossível para alguém como ele.

Seu irmão, um empresário meio suspeito, pede-lhe que vá à Ucrânia entregar o cadáver de um operário ilegal morto acidentalmente – jogando este inadaptado social numa trajetória às voltas com um caixão pela imensidão gelada do Leste europeu. São os elementos que fornecem a Magnani boas possibilidades para uma comédia dramática no seu filme de estreia.

A produção: uma viagem nada “facile

Easy tem o subtítulo de “un viaggio facile facile” – fazendo referência ao irmão na hora de pedir o favor ao protagonista. Antes das odisseias do sorumbático Isidoro, no entanto, Magnani por seu lado viveu as suas próprias peripécias e responde assim à pergunta de se as filmagens também foram “facile facile”.

Na verdade foi exatamente o oposto. Comecei a escrever o filme há oito anos atrás. Estávamos quase a começar as filmagens no verão de 2014 mas, no entanto, havia iniciado a guerra na Ucrânia no inverno de 2013. Nem sabíamos naquela altura se haveria filme, pois o governo do país congelou todo o dinheiro. Também desconhecíamos se a nossa coprodutora ucraniana receberia a sua parte e chegamos a pensar que tínhamos perdido o projeto. Mas, passados dois anos, tudo voltou a funcionar. Apesar de ser um filme de baixo custo, fazer um ‘road movie’ nunca é barato e estou muito agradecido ao nosso produtor na Ucrânia, pois graças a ele conseguimos terminar um filme que não foi nada ‘facile, facile’”.

A parceria surgiu de um projeto internacional de “workshops” na Grécia e os produtores gostaram muito de uma história que referia a um país oriental da Europa, mas sem determinar qual era. “Eles me convenceram a visitar a Ucrânia para ver se ela servia para o filme. E o país preencheu os requisitos, tinha exatamente o que eu queria, um lugar para a personagem sentir-se desorientada, sem os seus pontos de referência. Ao mesmo tempo tinha um grande potencial em termos de paisagem, como as fábricas antigas da antiga União Soviética”.

Andrea Magnani

Conexão Ucrânia-China-Geórgia

Pelo caminho para uma pequena cidade da Transilvânia, Easy encontra uma polícia aduaneira húngara com elevado sentido de humor, um motorista da Geórgia muito simpático (pelo menos até ele fazer a vida negra ao homem), uma família chinesa com o negócio em declínio e até um padre ucraniano decido a largar a batina para tocar numa banda.

Diz Magnani: “Existe uma só personagem principal, era só isso que eu pretendia. Eu não queria ninguém a acompanha-lo durante todo o filme, por isso “envolvi-o” com um caixão, com “alguém” que não poderia falar com ele, não lhe responderia. Mas claro que, como em qualquer ‘road movie’, temos encontros durante a viagem e aí eu quis focar em pessoas que estivessem num processo de mudança, como a minha personagem – que está a deixar a sua vida antiga e a iniciar uma nova. É o caso da família chinesa cujo restaurante está agora fora da rota dos camionistas, está a falir, ao mesmo tempo que a avó está a morrer. Ou do padre que quer ser cantor. Todas elas vivem processos de mudanças e eu estava a pensar nisso quando criei as personagens”.

E por que um personagem tão depressivo? “Bom, é assim na vida real. Ao mesmo tempo, numa abordagem cómica temos o preto, o branco e uma série de cinzentos – podemos estar depressivos sem deixar de encontrar momentos irónicos. Era que eu queria para contar uma história – meu desejo era fazer uma comédia com toques poéticos e dramáticos”.



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