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«Man Down - A Guerra» por Jorge Pereira

Num país constantemente em conflito e com tropas espalhadas por todo o mundo, a Perturbação de Stress Pós-Traumático é um problema grave e nem precisavamos da informação que surge nos créditos que nos dá conta que diariamente suicidam-se 20 veteranos de guerra nos EUA. O Cinema tem tratado esse tema em diversas obras e basta lembrar o recente American Sniper, ou os clássicos O Caçador, Rambo ou Nascido a 4 de julho, todos trabalhos que mais do que abordarem a guerra, falam das consequências dela para quem esteve na luta.

Dito Montiel, realizador de Lutador - A Lei das Ruas e Empire State: O Assalto, usa essa condição para através dos olhos de um soldado, Gabriel Drummer (Shia LaBeouf), nos apresentar uma narrativa fragmentada a quatro tempos - a recruta do soldado; ele a vaguear num cenário futurista desolador pós-apocalíptico; ele num interrogatório numa base militar; e flashbacks da sua vida familiar - tudo para servir uma reviravolta mirabolante e derivativa que nos remete para "mentes mais brilhantes".

Man Down é um filme de truques, de fogo de artifício carregado a pólvora seca, que sobrevive da sua gímnica pseudo labirintica e que depende exclusivamente do seu final, que nem é de todo difícil de adivinhar. Até chegarmos lá, somos enredados em lugares comuns de um homem a ser avaliado que tem de recontar a história para mostrar a sua condição de jovem idealista que se alista por patriotismo e que acaba por se desiludir e ficar mentalmente instável.

No meio disto tudo, quem sobrevive é o elenco, com Jai Courtney, Gary Oldman e Kate Mara a cumprirem os seus papéis com sapiência (mas sem brilho), enquanto LaBeouf surge de forma instintiva, animalesca e tresloucado, capaz de acrescentar todo o caos psicológico que o seu Gabriel vai passado, quer no Afeganistão, quer nos EUA, onde os traumas se amontoam sem dó nem piedade.

Man Down podia ter sido um grande filme, mas quando se tenta sobreviver com bases tão pouco sólidas e se apresenta um final já visto e revisto em outras paragens, não há muito que lhe possa valer...


Jorge Pereira



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