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«Orpheline» por Paulo Portugal

orpheline

O francês Orpheline, de Arnaud des Pallières, é um excitante exercício de cinema sobre o puzzle de peças femininas. No caso, uma composição de quatros atrizes cujas personagens acabam por ser, afinal de contas, diferentes períodos da vida da mesma mulher.

Um pouco como Almodóvar fez em Julieta, apresentado no último festival de Cannes e que estreia para esta semana em Portugal, temos aqui não duas mas quatro actrizes a dar corpo a diferentes parte da vida de uma só. São elas Adèle Haenel (que veremos também no muito aguardado Nocturama), Adèle Exarchopoulos (A Vida de Adèle), Solène Rigot e a menina Vega Cuzytek, fruto do guião de Christelle Berthevas inspirado parcialmente em experiências próximas. Mas temos ainda um outro elemento feminino fulcral, interpretado pela britânica Gemma Arterton, aqui como nunca a vimos.

Depois da masculinidade de A Vingança de Michael Kohlhaas, Arnaud des Pellières abre as portas a esta viagem traumática ao universo do feminino molestado, das mulheres traumatizadas. Daí talvez uma justificação suplementar para aceitar esta diversificação dos elementos femininos nesta composição que pretende ser abarcar um universo bem mais amplo. Destaca-se por isso mesmo a pungente interpretação do grupo, assente na intensidade de uma só mulher e que vem confirmar o enorme talento de Adèle Haenel, bem como a energia de Exarchopoulos e a pequena descoberta que é Solène Rigot. Mas também da faceta mais negra de Gemma Arterton que nos foi dado a ver.

É verdade que Orpheline pode assumir-se num puzzle difícil de destrinçar, mas quando as peças de juntam acaba por ficar um belo momento de cinema.

Paulo Portugal

 



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