Já com distribuição assegurada em Portugal, La Bataille de Gaulle : L’Âge de fer apresenta-se como um dos grandes filmes-evento do ano em França. Esta ambiciosa cinebiografia em dois capítulos sobre o general Charles de Gaulle, centrada no momento em que, em junho de 1940, a França capitula perante a Alemanha nazi e De Gaulle recusa aceitar a derrota, o filme acompanha a sua partida para Londres e o início de uma luta quase impossível, quando ainda não era o herói nacional nem a figura mítica do imaginário francês.
Com Simon Abkarian no papel principal, o filme procura combinar o retrato íntimo de um homem que esconde as emoções com a escala épica de uma grande produção histórica. “Quando trabalhei esta personagem, De Gaulle, não olhei apenas para os arquivos dele. Também olhei para Mussolini e Hitler. Olhei para eles de outra maneira. Vi-os.”, explicou ao C7nema o ator Simon Abkarian, que interpreta De Gaulle no filme. “Quando os vemos falar e mover-se nos discursos, percebe-se uma diferença essencial: De Gaulle flutua. Mussolini e Hitler falam do medo do seu povo, do seu próprio povo. De Gaulle fala à consciência deles, à sua nobreza”.
Realizado por Antonin Baudry, o projeto aposta num cinema raro em França, com cenas de guerra impressionantes, seis anos de trabalho e um orçamento superior a 70 milhões de euros. “Não se pode contar a história da França Livre entre 1940 e 1944 num só filme. Seríamos muito desobedientes à sua história”, explicou baudry, avisando que existiam “tantos degraus, pontos de viragem, obstáculos, personagens, batalhas”, que um filme apenas não bastava. “Não falo apenas de batalhas físicas, mas também de batalhas morais. Isto não pode ser contado num só filme”.
Apresentado em ante-estreia mundial em Cannes, L’Âge de fer quer lembrar porque é que De Gaulle continua a fascinar os franceses e porque é que a sua recusa da derrota ainda ressoa num tempo em que a memória política volta a ser urgente. “Sabe, em França, as pessoas não sabem tudo o que aconteceu a De Gaulle”, explica o realizador: “Não sabem quantos obstáculos teve de enfrentar. Os franceses pensam, porque foi isso que lhes ensinaram na escola, que quando De Gaulle foi para Londres, os resistentes foram com ele, ou já estavam com ele.Na verdade, muita gente estava em França. Alguns eram neutros, outros colaboradores, outros resistentes. Depois vieram os americanos, e os americanos libertaram o país.Eles não conhecem todos os obstáculos. Não sabem que De Gaulle estava totalmente sozinho no início, que recebia as poucas pessoas que iam ter com ele sentado na cama, porque não tinha mais nada onde as receber”.
Benoît Magimel (Pierre Kœnig), Mathieu Kassovitz (François Darlan), Thierry Lhermitte (Henri Giraud), Niels Schneider (Philippe Leclerc), Anamaria Vartolomei (Livia), Simon Russell Beale (Winston Churchill) e Campbell Scott (Franklin D. Roosevelt) afzem também parte do elenco.
O Festival de Cannes termina a 23 de maio.

