Ainda não começou a produção de “Crime No Punishment”, a nova longa-metragem de Emir Kusturica, que acompanha à distância, da Sérvia, o calvário de um amigo, o político uruguaio Pepe Mujica, acometido de cancro. O estadista, documentado por ele em “El Pepe, Uma Vida Suprema” (2018), era uma ponte vívida do cineasta com a América do Sul. O continente inspirou ainda um de seus maiores sucessos recentes, “Maradona por Kusturica” (2008), também de formato documental. Foi com a ficção, entretanto, que Kusturica ganhou prestígio e duas Palmas de Ouro, conquistadas em Cannes por “ O pai foi em viagem de negócios”, de 1985, e “Underground” de 1995. Ambos os títulos terão projeção esta semana na 18ª edição do Küstendorf International Film and Music Festival, que começa na quarta-feira (dia 22). O evento foi idealizado pelo cineasta no seu próprio lar, um resort na vila de Mokra Gora. Ela fica na fronteira com a Bósnia, a cerca de três horas de Belgrado. Por lá serão exibidas produções dos mais variados cantos do mundo, com 16 títulos na competição oficial, dedicada só a curtas-metragens, organizada sob uma filosofia de tolerância zero com o imperialismo. “Anora”, de Sean Baker, aposta para os Oscars de 2025, integra a programação, na seção Contemporary Tendencies.
“O meu cuidado é oferecer a plataforma ideal para que cineastas de todo o mundo possam exibir os seus filmes de maneira confortável”, disse Kusturica ao C7nema.

que lhe renderam duas Palmas de Ouro, em 1985 e 1995
Ao lado de “Anora” (que ganhou a Palma dourada de 2024, na Croisette), Kusturica exibirá ainda “É Só Por Um Tempo”, de Fei Long (China); “O Ano Novo Que Nunca Veio”, de Bogdan Mureşanu (Romênia); “Aicha”, de Mehdi Barsaoui (Tunísia), e “Stolen”, de Karan Tejpal (Índia), que encerra a programação, neste sábado. No mesmo dia, 25 de janeiro, serão anunciadas as vitórias da seleção competitiva, decididas por um júri formado pela atriz e teórica Ksenija Zelenović e os realizadores Edoardo De Angelis e Giacomo Abruzzese. Este último leva para Mokra Gora um documentário inédito “América”, a ser exibido para o público na seção New Authors. Chama-se Cine Stanley Kubrick (num tributo ao mítico realizador de “2001“) a sala onde Kusturica projeta os clássicos em Küsterndorf, num espaço onde vivem os seus gatos. O restaurante local do resort, que serve pratos típicos como Urnebes (um queijo branco coberto de especiarias tipo páprica), vem de Visconti, em referência ao realizador de “O Leopardo” (1963). No cardápio, há sempre uma salada de beterraba, risoto de legumes e presunto defumado.
As produções em competição em Küstendorf este ano:
“5/3/0”, de Danilo Stanimirović (Sérvia)
”August”, de Dan Grabnar (Sérvia)
”Castaways”, de Andrea Saavedra de la Teja (México)
”Dawn Every Day”, de Amir Youssef (Egito)
”Demons, Demons, Demons”, de Egor Schirenko (Rússia)
”Forty”, de Adem Tutić (Sérvia)
”Hex”, de Agnes Rachel Trier (Dinamarca)
”Names”, de Jane Spasik (Macedônia)
”Not Just Any Day”, de Klavdiya Korshunova (Rússia)
”Passarinho”, de Natalia García Agraz (México)
”Posession”, de Sofia Chigirova (Rússia)
”The Bear and the Bird”, de Marie Caudry (França)
”The Forest. A Little Tragedy”, de Oleg Yershov (Rússia)
”The Incredible Summer of Jesús”, de Sebastián Díaz Barriga (México)
”The Stranger”, de Milorad Milatović (Croácia)”Thursday Special”, de Varun Tandon (Índia)

