Afastada do cinema desde 2013, quando lançou “Abus de faiblesse“, a cineasta francesa Catherine Breillat vai regressar brevemente às filmagens com “Inavouable“, projeto que contará com a produção de Saïd Ben Saïd.
Foi o próprio Ben Saïd que divulgou a produção no Twitter, não adiantando qualquer detalhe sobre o seu enredo. Mas o Les Inrocks adianta que este filme é um remake do nórdico “Rainha de Copas” (Queen of Hearts). Valeria Bruni-Tedeschi (Verão de 85) e Olivier Rabourdin (Dos Homens e dos Deus) são os protagonistas
Apaixonada pela literatura desde tenra idade, Breillat desembarcou em Paris acompanhada da sua irmã, a atriz Marie-Helene, em 1964 e, um ano depois, quando aos 17 anos, publicou o seu primeiro romance, “L’homme facile“, proibido para os menores de 18 anos. Lança mais três livros e, paralelamente, surge no cinema num pequeníssimo papel em “O Último Tango em Paris” de Bernardo Bertolucci.

Em 1976, Catherine Breillat adapta a sua obra literária “Une vraie jeune fille“, iniciando assim uma carreira marcada sempre pelo erotismo e polémica. “Parfait amour!“ foi o seu primeiro sucesso, lançando posteriormente obras como o controverso “Romance” (1999), no qual contou com a presença do ator de filmes pornográficos Rocco Siffredi. Depois de “Para a Minha Irmã” (2001), em 2004 ela repetiu a experiência de trabalho com Siffredi em “Anatomie de l’enfer“, que adaptava o seu livro “Pornocracia“. Nesse mesmo ano foi vítima de um ataque cerebral que a deixou semiparalisada. Após 5 meses de hospitalização e uma lenta reabilitação, Catherine Breillat volta ao trabalho, lançando em 2007 “A Última Amante“, com Asia Argento no protagonismo.
A relação entre Asia e Catherine não foi a melhor, tendo a dupla- no auge do movimento Me Too – trocado palavras bastante duras. “Catherine Breillat é a realizadora mais sádica e cruel com quem já trabalhei.Teve um prazer extremo em humilhar os seus atores e a sua equipa no set ”, atacou Asia Argento, logo depois de Breillat ter afirmado em entrevista que não acreditava na atriz em relação às acusações desta a Harvey Weinstein. Segundo ela, Argento teria agido contra Harvey Weinstein por “frustração” e “amargura” por não ter se tornado “uma grande atriz de Hollywood”.
Em várias entrevistas, aquando do lançamento de “Abus de faiblesse“, a cineasta referia que não se via a continuar na realização, sendo por tal o anúncio de Saïd Ben Saïd uma surpresa.

