A realizadora Charlène Favier, que abordou a violência sexual no mundo do desporto, nomeadamente no Esqui, em “Slalom“, vai ter como segundo projeto um filme sobre uma das três cofundadoras do Femen: a ucraniana Oksana Chatchko.
Coescrita com Antoine Lacomblez, Charlène Favier fará uma retrospetiva desde a fundação do grupo de ativistas em 2008 até ao suicídio – por enforcamento – de Oksana, em julho de 2018.
Artista e comprometida com a causa feminista, Oksana Chatchko fundou o Femen na Ucrânia ao lado de Anna Hutsol e Oleksandra Shevchenko, sendo responsável pela estética do movimento que tanto despertou a atenção: seios nus, busto pintado com slogans, grinaldas de flores e punho levantado em ações contrárias ao turismo sexual, instituições religiosas, sexismo, homofobia, e outros tópicos sociais, nacionais e internacionais.

“Criámos a FEMEN em 2008. Após o nosso protesto contra as eleições na Rússia, fui detida durante duas semanas. Na polícia, fui responsabilizada por tudo e deportada. A partir de então, a minha entrada na Rússia foi negada para o resto da vida. Fomos presas depois de cada ação na Ucrânia, mas nunca fomos deportadas, é claro, porque éramos cidadãs do país. Mesmo assim, o nosso ativismo tornou-se fisicamente impossível. No final, fomos acusadas de preparar um ataque terrorista contra Putin e o Patriarca Cirilo. Eles “plantaram” armas, bombas e também os retratos dessas duas belezas (Putin e Cirilo). Um dia, graças a Deus – “graças a Deus!” [risos] – conseguimos escapar da Ucrânia“, disse em entrevista.
Anarquista, a jovem refugiou-se em França, tendo participado do movimento na sua versão francesa com Inna Shevchenko, isto antes de sair em 2014, dedicando-se inteiramente à pintura. Sobre a sua saída do grupo, explicou em entrevista: “Parei o meu trabalho com a FEMEN quando vim para a França porque a FEMEN deixou de ser um movimento de protesto pequeno, revolucionário, agressivo e corajoso como o era na Ucrânia. Aqui em Paris ficou vazio e… é difícil para mim falar sobre isso“.
Recordamos que esta não é a primeira vez que a Femen chega ao cinema, com Kitty Green em 2013 a filmar “Ukraine Is Not A Brothel“. Um ano depois foi a vez de Alain Margot assinar um documentário sobre a organização: “Je suis Femen“.

