Maïmouna Doucouré e o seu “Mignonnes” vence o Prémio Alice Guy 2021

Criado em 2017, o Prémio Alice Guy distingue uma realizadora

(Fotos: Divulgação)

A realizadora Maïmouna Doucouré ganhou o Prémio Alice Guy 2021 com a sua primeira longa-metragem, “Mignonnes – Primeiros Passos”. Doucouré sucede assim a Mounia Meddour, que conquistou o troféu em 2020 por “Papicha“.

Lançado em agosto de 2020, “Mignonnes” traça a jornada atípica de Amy, de onze anos, que quer mais do que tudo integrar um grupo de dançarinas. O filme concorria ao prémio juntamente com “ADN” de Maïwenn;
Antoinette dans les Cévennes” de Caroline Signal; “Un divan à Tunis” de Manele Labidi; e “Woman” de Anastasia Mikova e Yann Arthus-Bertrand.

Maïmouna Doucouré

Polémico nos EUA, devido à hiperssexualização das protagonistas num poster, que rendeu-lhe a acusação de “pornografia infantil ” por parte de Ted Cruz, candidato às primárias americanas em 2016, que pediu então ao Departamento de Justiça que abrisse uma investigação. O filme teve uma boa receção em França e Fathia Youssouf, a jovem atriz que interpreta Amy, recebeu, no dia 12 de março, o César de Melhor Esperança Feminina 2021.

A história de Mignonnes assume, como em ‘Maman(s)’ [curta-metragem da realizadora], o ponto de vista de uma pré-adolescente. O rosto de Amy, a sua heroína, é como um ecrã dentro de um ecrã, no qual se lê a violência do mundo em redor…. A curta e a longa-metragem são bem diferentes, mas partilham em comum este ponto de vista de uma criança. Gosto de dizer aos espectadores a quem apresento o meu filme que me preocupo para que eles se possam colocar no lugar de uma menina de 11 anos durante a exibição. Gostaria que pudessem sentir a sua respiração, o seu pulso, o seu coração a bater.“, disse a cineasta aquando da estreia do seu filme.

Fathia Youssouf

Uma jovem presa entre dois mundos

Foi algo que experimentei e de que me lembrei para inspirar-me para o filme. Os meus pais são de origem senegalesa e, quando criança, muitas vezes fiquei dividida na minha dupla cultura. Com os meus nove irmãos e irmãs, as minhas duas mães e o meu pai, no nosso pequeno apartamento parisiense, é claro que não não parecíamos com as outras famílias. Então, sempre entre a cultura senegalesa e ocidental, surgiu a questão de como tornar-me uma mulher. Uma pergunta que tem me assombrado por muito tempo. Além disso, eu, aos onze anos, tinha o sonho ser menino. Não tinha nada contra a minha feminilidade, mas sentia que a vida seria mais justa. Ao meu redor, observei muitas injustiças que as mulheres sofreram. Acho que é uma revolta que ainda me move e inspira-me hoje a criar. De certa forma, a minha personagem, Fofo, está dividida entre duas opressões femininas. Aquela que a sua mãe inflige a si mesma ao aceitar a poligamia e outra que encontra indo em busca de uma suposta liberdade, na qual se perde“.

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