Morreu aos 69 anos o ator, argumentista e dramaturgo Jean-Pierre Bacri. Conhecido por inúmeras colaborações com a ex-companheira Agnès Jaoui, Bacri padecia de cancro e estava afastado dos ecrãs há dois anos.
A sua carreira nas longas-metragens no cinema começou com “Amor Ameaçado” (1979) e posteriormente atuou em filmes de Alexandre Arcady (Dia do Perdão, 1982), Claude Lelouch (Piaf e Marcel, 1983), Luc Besson (Subterrâneo, 1985), Jacques Deray (Só se Morre Duas Vezes, 1985), Alain Chabat (Didier, 1997), e Nicole Garcia (Place Vendôme, 1999).

Além de atuar ainda em filmes de Cédric Klapisch (Un air de famille, 1996) e Alain Resnais (É Sempre a Mesma Cantiga, 1997), colaborou com eles na escrita do guião e teve nessa função – além da atuação – particular sucesso na sua parceria com Agnès Jaoui em “O Gosto dos Outros” (2000), com o qual venceu o Cesar de melhor guião. Com ela escreveu ainda “Olhem para Mim“, melhor argumento no Festival de Cannes em 2004; “Deixa Chover” (2008), “E Viveram Felizes Para Sempre…?” (2013), e o mais recente “Na Praça Pública” (2018), onde também era o protagonista: Castro, um apresentador com um humor muito seco e uma forma politicamente incorrecta de estar
Sobre a dinâmica de colaboração com Bacri, Jaoui disse ao C7nema em 2019: “Fazemos sempre as coisas juntas, escrevemos conjuntamente das 15h às 19h com muitos cadernos, canetas… [Somos da velha-guarda] Falamos muito, eu anoto as coisas, mais do que ele, especialmente em torno das personagens e do tema. Somos o mais precisos possíveis e assim montamos os diálogos…“. Já antes, em 2017 ela mostrava surpresa com o sucesso da dupla como argumentistas: “Não esperávamos que um dia o nosso cinema, feito com uma experiência que trazemos do teatro, pudesse chegar a Hollywood e a países de línguas distintas do francês (…) O nosso foco são as relações humanas e os sentimentos nobres e medíocres que as assombram“.

Além de “Na Praça Pública” (2018), Bacri teve como últimos projetos “Retrato de Família” (2018) de Cécilia Rouaud e “O Espírito da Festa” (2017), da dupla Olivier Nakache e Éric Toledano. “Com Nakache e Toledano, somos da mesma família“, disse o ator em 2017, ele que ficou conhecido por interpretar personagens mal-humoradas, difíceis, mas sempre com um toque de humanidade. “Sou incapaz de fazer outra coisa que o Bacri, porque sou o Bacri (…) Coisas alegres não me interessam, prefiro anti-heróis“, afirmou.

