Luca Guadagnino defende liberdade de casting para personagens LGBTQ+

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista concedida ao The Independent a propósito da sua nova série televisiva “We Are Who We Are”, o realizador italiano Luca Guadagnino, responsável por “Call Me By Your Name” e pelo recente remake de “Suspiria”, rejeitou a ideia de que se devem contratar atores com orientações sexuais correspondentes às das personagens que desempenham. Questionado sobre o assunto, o cineasta afirmou: “Não creio ter o direito de decidir se um ator é heterossexual ou não. Quem sou eu para saber o que alguém pensa de si mesmo?”.

Para responder a uma questão que tem sido alvo de polémica nos últimos anos, Guadagnino argumentou que não pode pedir aos atores para jurarem pela sua sexualidade, pela sua identidade ou pelos seus desejos antes de os contratar. Comentado o caso específico de Oliver, o interesse amoroso de “Call Me By Your Name”, o realizador confessou que é impossível encontrar atores perfeitos para os papéis. “Se tenho de contratar uma pessoa à séria [the real thing] para um papel, não consigo contratar ninguém. Não posso contratar um homossexual para representar Oliver. Tenho de contratar Oliver para ele desempenhar o papel de Oliver, porque as identidades dos homossexuais são tão variadas como as flores sobre a terra. Logo, não existe uma identidade homossexual. Uma pessoa homossexual é completamente diferente de outra pessoa homossexual.”

Justificando desta forma a escolha de Armie Hammer e de Timothee Chalamet para protagonizarem “Call Me By Your Name”, Guadagnino terminou por elogiar a profissão: “A beleza de representar é a possibilidade de criar e dar corpo a novos ‘eus’ através da arte”.

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