Morreu o maestro Ennio Morricone

(Fotos: Divulgação)

Com seis décadas de carreira e mais de 500 créditos na construção de bandas sonoras para TV e Cinema, um dos compositores mais prolíficos e admirados da história do cinema morreu aos 91 anos.

Morricone morreu no início desta segunda-feira numa clínica de Roma, onde foi levado logo após sofrer uma queda que causou uma fratura no quadril, informou o seu advogado Giorgio Asumma a agência de notícias italiana ANSA.

Vencedor de um Oscar (“Os Oito Odiados“, de Quentin Tarantino) e conhecido por trabalhos musicais em filmes como “O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), Aconteceu no Oeste (1968), “Era uma vez na América” (1984) e “Cinema Paraíso” (1988), Morricone dizia que a inspiração representava apenas 1% do processo criativo e que o restante “era transpiração, suor e fadiga“.”

Logo após a morte do compositor ser confirmada, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte twittou: “Sempre lembraremos, com infinita gratidão, o génio artístico do Maestro #EnnioMorricone. Fez-nos sonhar, sentir animados, refletir, escrevendo partituras memoráveis ​​que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema.

Nomeado aos prémios da Academia por 6 vezes, por “Dias do Paraíso“, “A Missão“, “Os Intocáveis“, “Bugsy“, “Malena” e “Os Oito Odiados“, Morricone já tinha conquistado o prémio de carreira em 2007 da Academia de Hollywood antes de ser premiado pelo filme de Tarantino. Segundo a Academia de Hollywood, que pela segunda vez atribuía esse prémio de carreira a um compositor, a distinção foi atribuída “pelas suas magníficas e multifacetadas contribuições à arte da música cinematográfica“.

Morricone foi igualmente celebrado no seu país no ano passado, numa cerimónia no Coliseu de Roma. Na altura, e com noventa anos, brincou com o cenários, afirmando que que só foi pena não estarem leões na arena.

Compositor convicto nas suas ideias, assumia discordar frequentemente com os cineastas com quem trabalhava e garantia que tentava sempre educar os realizadores para a importância da música. “Há uma regra que estabeleci: se há boa música e o filme é mau, é mau porque a música não faz milagres. Se for um bom filme e a música for medíocre, então ele está bom. O ideal é quando um bom filme tem uma bela música.

Quanto ao futuro da música no cinema, e na época, Morricone lembrou que os tempos mudaram, pois para muitas bandas sonoras são chamados amadores que se limitam a usar sintetizadores. “O meu filho é muito bom mas ele não trabalha tanto quanto eu porque não há trabalho. Hoje é difícil para um compositor fazer música original, exceto quando é um realizador importante que não aceita o que o produtor lhe diz“.

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