Morreu Earl Cameron, um dos primeiros protagonistas negros do cinema britânico

(Fotos: Divulgação)

Earl Cameron, um dos primeiros atores negros do cinema britânico a conquistar o protagonismo, morreu esta sexta-feira em Inglaterra. Tinha 102 anos.

Nascido nas Bermudas a 8 de agosto de 1917, Cameron chegou à Grã-Bretanha em 1944 e, passadas algumas semanas da sua chegada, conseguiu um emprego nas transmissões da BBC para as Caraíbas e África. Passou pelo teatro no West End, estudou canto com Amanda Ira Aldridge, e chegou ao cinema em 1951, no filme “Encontro em Londres“, assinado por Basil Dearden.

Com experiência na Marinha Mercante Britânica, no seu primeiro filme ele desempenha o papel de um marinheiro chamado Johnny Lambert, que tem um relacionamento com uma mulher branca, interpretada por Susan Shaw. O filme noir ficou mais conhecido por ser o primeiro a mostrar um romance interracial num filme britânico.

Em 1955 surgiu em “Simba” e seguiram-se uma série de papéis secundários, algo que o acompanhou durante a carreira. “A menos que fosse especificado que o papel era para um ator negro, eles nunca considerariam um ator de cor para o papel. E nunca considerariam mudar o papel atribuído a um branco a um negro. Esse era o meu problema. Consegui principalmente papéis pequenos, e isso foi extremamente frustrante – não apenas para mim, mas para outros atores negros. Tivemos muita dificuldade em conseguir papéis que valessem a pena ”, disse Cameron numa entrevista ao The Guardian.

Dearden e Cameron voltaram a colaborar em 1959 no drama criminal “Sapphire“, que ganhou o prémio BAFTA de melhor filme. Em 1965 surgiu em “007 – Operação Relâmpago“, como um agente sediado nas Bahamas, voltado a atuar ao lado de Sean Connery no filme de aventura “Cuba” (1979), que retratava a era um pouco antes da Revolução Cubana.

Outros créditos cinematográficos do ator incluem “O Revolucionário” (1970), “A Intérprete” (2005) e “A Origem” (2010), enquanto na TV foi um dos rostos visíveis na famosa “Doctor Who“.

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