Steve McQueen e o “racismo flagrante” na indústria do cinema e TV

(Fotos: Divulgação)

Depois de filmar três obras nos EUA – “12 anos escravo”, “Vergonha” e “Viúvas” – o realizador britânico Steve McQueen regressou ao Reino Unido para executar “Small Axe”, um conjunto de seis filmes que abordam a experiência negra entre as décadas de 1960 e 1980 (dois deles estão na seleção do Festival de Cannes).

Narrando a experiência de voltar ao Reino Unido, McQueen escreveu, neste fim de semana, um artigo no The Observer, condenando o que vê como “racismo flagrante” na indústria de cinema e TV do Reino Unido.

No ano passado, visitei um set de filmagens de TV em Londres. Parecia que tinha saído de um ambiente, a Londres a que estou habituado, para outro, um lugar estranho para mim. Não podia acreditar na brancura do cenário. Fiz três filmes nos Estados Unidos e parece que nada mudou realmente durante este tempo na Grã-Bretanha. O Reino Unido está tão atrasado em termos de representação, que é vergonhoso “, escreveu McQueen, adicionando que apesar das tentativas de mudar as coisas em “Small Axe”, a representatividade que se vê à frente das câmaras não tem continuidade atrás delas.

A dura realidade é que não existem infraestruturas para apoiar e contratar uma equipe BAME (Negros, asiáticos e outras minorias étnicas). E não há infraestruturas, pois não houve vontade ou urgência suficiente para implementá-las. Nós realmente precisamos fazer muito, muito melhor. (…) A questão fundamental é que precisamos acelerar o treino e o acesso a jovens talentos, não apenas de jovens brancos. Fizemos o nosso melhor no ‘Small Axe’, mas não foi bom o suficiente. A cultura da indústria precisa mudar. Simplesmente não é saudável. Está errada. E, no entanto, muitas pessoas da indústria concordam com isto como se fosse algo normal. Isto não é normal. É tudo menos normal. É um racismo flagrante. Facto. Eu cresci com isso. Eu sei disso. E não está sendo feito o suficiente sobre o assunto.

Recorde-se que no passado, McQueen falou de maior diversidade na indústria e em janeiro criticou os BAFTAs pela falta de reconhecimento ao talento das minorias.

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