Morreu aos 90 anos o ator sueco Max von Sydow, cuja carreira ficou intimamente ligada ao cineasta Ingmar Bergman.

Foi com Alf Sjöberg que Carl Adolf von Sydow se estreou no cinema, primeiro em Apenas Mãe (1949) e depois em Vertigem (1951), trabalhando pela primeira com Bergman no inesquecível O Sétimo Selo (1957).
Numa entrevista ao c7nema em 2012, por ocasião da estreia do filme “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, o ator explicou-nos a forma como conheceu o realizador:“Foi durante uma greve do cinema. Como não havia cinema, o Bergman foi fazer uma peça, ‘The Rose Tattoo’, do Tennessee Williams, no teatro onde eu estava. Mas foi apenas mais tarde que passámos a trabalhar juntos. Primeiro, no teatro, depois no cinema. Fazíamos teatro durante todo o ano e um filme no verão. O Bergman tinha uma capacidade de trabalho tremenda. Escrevia peças durante o inverno e primavera, rodava um filme no verão e montava no outono, para o estrear no Natal (risos). Paralelamente, encenava duas peças no teatro municipal. E, claro, usava os mesmo atores do teatro nos seus filmes. Era uma equipa incrível.”
Depois de participar em filmes de Bergman como “Morangos Silvestres” (1957), “No Limiar da Vida” (1958), “O Rosto” (1958), “A Fonte da Virgem” (1960), “Luz de Inverno” (1963), Max Von Sydow estreou-se nos EUA no papel de Jesus em “A Maior História de Todos os Tempos” (1965), mas reencontraria o realizador sueco em “A Hora do Lobo” (1968), “A Vergonha” (1968), “A Paixão” (1969) e “O Amante” (1971).

Em 1970 trabalha com John Huston em A Carta do Kremlin e três anos depois brilha como o Padre Merrin em “O Exorcista” – papel que repetiria em “O Exorcista II” (1977). Na sua cartilha de personagens memoráveis encontramos também a do imperador Ming em “Flash Gordon”, de Kynes em “Duna” (1984) e nos filmes “Ana e as Suas Irmãs “(1986) de Woody Allen e “Pelle, o Conquistador” (1987), de Bill August, que lhe valeu a sua primeira nomeação aos Oscars. Sem dar a cara, mas emprestando a sua voz hipnotisante (no sentido literal), narrou “Europa” de Lars Von Trier.

A sua carreira estende-se até aos tempos que correm, ficando na memória dos fãs de Guerra dos Tronos, a sua pequena aparição na série. Também deu nas vistas em “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, que lhe valeu nova nomeação aos Oscars; em “Episódio VII – O Despertar da Força”, como Lor San Tekka; e mais recentemente em “Kursk” (2018), de Thomas Vinterberg.
Com mais de 200 produções no curriculo (teatro, cinema, tv), Von Sidow foi distinguido em 2004 em Cannes pela carreira, em San Sebastián em 2006 e em 2008 na 28ª edição do Fantasporto.

