David Cronenberg: “se nunca mais fizer outro filme, tudo bem.”

Numa entrevista ao The Guardian, David Cronenberg afirmou que não tem qualquer problema se nunca mais realizar nenhum filme.

Famoso por obras como Videodrome, A Mosca e eXistenZ, o canadiano admite que está a desenvolver, na fase do argumento, um projeto muito especial, mas que hoje em dia é cada vez mais díficil encontrar apoio junto dos produtores e estúdios.

Não importa se você estás no Canadá ou não, com filmes independentes é difícil conseguir alguma coisa. Quanto mais incomum for um filme, mais resistência encontras. É um processo longo e difícil, mesmo na era do streaming, ou o que quer que seja. Vais acumulando possíveis investidores, as pessoas perdem o interesse, mais investidores. Falas  talvez com o Canal + ou outro canal e esperas e esperas. Como disse em Veneza, quando mostrámos a versão restaurada de ‘Crash’, se nunca mais fizer outro filme, tudo bem. As pessoas ficaram chateadas por ter dito isso, mas é verdade. Se um desses projetos tiver luz verde, ficarei obcecado novamente, e atiro-me completamente a ele,  como sempre. Mas já não sinto o desespero de criar que costumava ter quando era jovem e tentava construir um nome [na indústria]. [Nesses tempos]Queria colocar todas as minhas ideias no ecrã e, agora, tenho uma maneira de pensar budista ou zen. Tudo o que sei é que é um bom lugar para se estar.

Recorde-se que o último filme do cineasta foi Mapa das Estrelas, datado de 2014. Depois disso, ele assinou dois guiões de episódios de um projeto que adapta o seu livro Consumed. A produção não teve luz verde da Netflix e o cineasta procura agora outra plataforma ou canal para o transformar em série.

 

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