Numa noite em que o legado de Robert Redford esteve em destaque, com nomes como Ethan Hawke, Ava DuVernay e Woody Harrelson a evocarem o ator e fundador do Festival de Sundance, falecido em setembro passado, aos 89 anos, o Sundance Institute atribuiu, na sua gala anual, realizada esta sexta-feira, 24 de Janeiro, no Grand Hyatt Deer Valley, o prémio Trailblazer a Chloé Zhao, enquanto Nia DaCosta e Geeta Gandbhir receberam o Vanguard Award, distinção concedida a cineastas com contributos emergentes para a indústria.
No seu discurso, Zhao falou sobre pertença, rejeição e o papel da comunidade no seu percurso profissional — temas que também povoam o seu cinema. Afirmando ter passado grande parte da vida “a caminhar sozinha”, experiência que a levou a encontrar na narrativa uma forma de ligação humana, a realizadora de filmes como Nomadland e de Hamnet recordou ainda a sua entrada no Sundance Screenwriters Lab, em 2012, assumindo como um ponto de viragem e destacando o apoio recebido ao longo da última década por colegas e mentores. Entre os episódios mencionados, referiu um recente em que o realizador David Lowery interrompeu o seu próprio trabalho para a ajudar durante uma rodagem difícil em Los Angeles. “Eu estava sentada a vê-lo correr de um lado para o outro, a ser o realizador incrível que é, a aparecer e a ajudar-me com a segunda unidade“, explicou a cineasta.
Para Zhao, experiências como essa destacam como o cinema é um ato coletivo e que liderança e inovação não se constroem a partir do domínio individual, mas da interdependência, da confiança e da capacidade de dar e também de saber receber: “Quero agradecer ao Robert Redford por compreender a importância da interdependência, tanto na natureza como na natureza humana“.
Já Geeta Gandbhir, responsável por documentários como The Perfect Neighbor, admitiu que não foi “formada” em Sundance, mas viu sempre o certame e o seu laboratório como “uma luz orientadora” e um espaço para histórias “ousadas e sem compromissos”. Ela destacou ainda o papel do festival na promoção de vozes sub-representadas e de narrativas centradas na justiça social: “Obrigada por criar um espaço onde o risco não é apenas tolerado, mas esperado. Obrigada por escolher os artistas em vez do autoritarismo e por provar que a cultura não avança a jogar pelo seguro“.
O Festival de Sundance decorre de 22 de Janeiro a 1 de Fevereiro de 2026, naquela que é a sua última edição em Park City. A partir de 2027, o evento passará a realizar-se em Boulder, no Colorado, encerrando um ciclo de mais de quatro décadas no Utah.

