O realizador francês Valéry Carnoy, vencedor do prémio SACD Coup de Cœur, atribuído pela Société des Auteurs et Compositeurs Dramatiques, e da distinção Europa Cinemas, conquistados com La Danse des Renards (Wild Foxes), exibido na última Quinzena dos Cineastas, tem já dois novos filmes em desenvolvimento. A informação foi avançada pelo próprio cineasta ao C7nema.
Um dos projetos mergulha no universo do hooliganismo e da criminalidade organizada. “Passa-se nos anos 1990 e acompanha um grupo de hooligans que, através da fraternidade e da paixão que os une, acaba por entrar no banditismo. De forma relativamente rápida, e ao longo de cerca de quinze anos, conseguem impor-se no mundo do crime e até desafiar a máfia albanesa”, explicou Carnoy. Com o guião concluído, trata-se de um projeto de maior envergadura, em termos de produção, do que a sua longa-metragem de estreia.
O segundo filme em preparação volta a partir de elementos autobiográficos. “A história começa em França ou na Bélgica e desloca-se depois para o Senegal. Segue um jovem que sonha ser artista, mas trabalha como empregado de café. Depois de cortar relações com a mãe, descobre que ela sofreu um acidente no Senegal e que leva ali uma segunda vida: tem um amante, uma casa, um restaurante e um filho adoptivo”, revelou o realizador.
Recorde-se que La Danse des Renards decorre no universo do boxe, numa escola de elite dedicada ao desporto, e assume a forma de um coming-of-age centrado na exploração das masculinidades e na pressão associada à busca da excelência. O filme acompanha Camille (Samuel Kirchner), um jovem pugilista recentemente coroado campeão francês, cuja vida muda após um grave acidente numa floresta próxima da escola, do qual é salvo pelo melhor amigo, Matteo. Apesar de clinicamente recuperado, Camille começa a sofrer de dores fantasma, sobretudo num braço marcado por uma cicatriz profunda.
“Sou um jovem cineasta e tinha de começar por algo que conheço, onde pudesse ser sincero e honesto, e ter mais hipóteses de fazer algo simples mas profundo. Lembrei-me de um sentimento que vivi na adolescência: a vulnerabilidade”, explicou Carnoy, evocando um acidente sofrido aos 15 anos que o deixou longamente debilitado e marcou a sua relação com as dinâmicas de grupo e a pressão social. “Passei por um longo período de fraqueza. Em plena dinâmica adolescente, apercebi-me da pressão e da toxicidade das dinâmicas. Eu já não conseguia assumir o lugar que tinha antes do acidente, quando tinha força, sangue, reputação. Houve uma descida de popularidade”.
La Danse des Renards estreia brevemente nos cinemas portugueses.

