
A atriz Leonor Silveira vai ser hoje (15/12) distinguida com o Prémio Bárbara Virgínia, um galardão criado este ano pela Academia Portuguesa de Cinema com o intuito de homenagear mulheres que se destacaram (e que continuam a destacar) na 7ª Arte.
Segundo a Academia, a decisão de escolher a atriz para estrear este novo prémio foi unânime. O júri, formado por Maria do Carmo Moser, Patrícia Vasconcelos, Sano de Perpessac, Beatriz Batarda e Cândida Vieira, selecionou Silveira pela sua importância histórica e singularidade, quer em Portugal, quer no resto do Mundo.
Nascida a 28 de outubro de 1970, Leonor Silveira tornou-se numa das mais célebres e respeitadas atrizes no nosso panorama cinematográfico. Estreou-se ao lado de Luís Miguel Cintra em Os Canibais (1988), o seu primeiro encontro com o cineasta que gerou uma longa e produtiva colaboração. Silveira foi assumidamente a protagonista de eleição do cineasta, destacando-se em O Vale Abrão (1993), O Convento (1995) e Um Filme Falado (2003).
Para além disso, trabalhou com outros realizadores de renome nacional, tais como Luís Galvão Teles (Retrato de Família, 1991), Joaquim Pinto (Das Tripas Coração, 1992), João Botelho (No Dia dos Meus Anos) e João Nicolau (John From, 2015). Durante a sua carreira foi premiada com vários distinções como a Comenda da Ordem do Mérito da República Portuguesa e a Ordem das Artes e das Letras de França.
A atriz receberá a distinção numa sessão especial que antecede a projeção de um “Work in Progress” do filme “Quem é Bárbara Virgínia?“, realizado por Luisa Sequeira.
Nascida a 15 de novembro de 1923 em Lisboa, Maria de Lourdes Dias da Costa (Bárbara Virgínia) iniciou a sua carreira como atriz de teatro após anos inscrita no Conservatório de Lisboa, onde estudou canto, piano, teatro e dança. A sua primeira peça foi Os Ladrões, ao lado de Alves da Cunha. Em 1945, entra no mundo do cinema com Sonho de Amor, de Carlos Porfírio, e com 22 anos realiza no mesmo ano Três Dias Sem Deus, o qual também interpreta (o filme só estrearia em 1946). Para além de ter sido a primeira obra dirigida por uma mulher em Portugal, foi também um dos primeiros representantes do nosso país, ao lado de Camões, de Leitão de Barros, na primeira edição de Festival de Cinema Internacional de Cannes.
Barbara Virgínia não voltou mais a realizar, mas continuou a atuar, tendo ainda participado no filme Aqui em Portugal, de Armando Miranda, para depois dedicar-se exclusivamente ao teatro e à rádio, nomeadamente no popular programa radiofónico “Comboio das Seis e Meia”. Muda-se para o Brasil, onde assina contrato com a TV Tupi. A sua carreira como atriz é tida como bem sucedida neste país.
A 8 de março de 2015, Barbara Virgínia faleceu no Rio de Janeiro, onde residia nos últimos anos.
Em agenda:
Prémio Bárbara Virgínia
o Exposição sobre a vida e obra, com curadoria de Ana Mafalda Reis
o Entrega do Prémio a Leonor Silveira
o Exibição de um “Work in Progress” do filme “Quem é Bárbara Virgínia?”, realizado por Luisa Sequeira
o Exibição do material existente do filme “Três Dias Sem Deus” de Bárbara Virgínia

