Entrevista a Danielle Harris (protagonista de ‘Stake Land’, filme que encerra o Motelx)

(Fotos: Divulgação)

Aos 34 anos, Danielle Harris é a “scream queen” por excelência do cinema de terror indie americano. Tinhas apenas 9 anos quando interpretou Jamie Lloyd, a filha da personagem de Jammie Lee Curtis, em «Halloween 4: The Return of Michael Myers” de 1988. A saga ‘slasher’ marcou a sua carreira, quer pela sua aparição no quinto filme no ano seguinte, quer pelo surpreendente regresso da actriz às suas origens como Annie Bracket nos dois «Halloween» que Rob Zombie assinou em 2007 e 2009.

A sua carreira como actriz-adolescente nos anos 90 foi recheado com papéis em filmes como «Don’t Tell Mom the Babysitter’s Dead» (Não Digas à Mamã que a Babysitter morreu), «City Slickers» (A Vida o Amor e as Vacas), «The Last Boy Scout» (O Último Escuteiro) e «Free Willy» (Libertem o Willy).

No entanto, o terror voltaria a dominar a sua carreira no final dos 90 e nos anos 00, com papéis em filmes como «Urban Legend» (Mitos Urbanos, 1998), o canadiano «Left for Dead» (2007) ou «Hatchet II» (2010). Em 2011, a actriz  surge  no filme apocalíptico de vampiros «Stake Land» (que estreia em Portugal no Motelx) e em «The Victim» , obra estilo “grindhouse” que marca a estreia na realização de Michael Biehn.

Mas curiosamente, o único “stalker” que esta actriz franzina e com ar sempre juvenil (que fazia de adolescente em «Halloween» de Rob Zombie,  apesar de já ter 30 anos!) veio da sua participação na série de TV «Roseanne». O seu fã ainda a persegue nos dias de hoje, via Twitter, após Danielle ter conseguido uma ordem de tribunal que o mantém afastado: é que um dia este apareceu-lhe à porta com um ursinho de peluche e uma caçadeira. 

O c7nema falou com a diva do terror Danielle Harris a propósito dos seus novos filmes «Stake Land» e «The Victim», mas ainda esclareceu algumas dúvidas sobre «Among Friends» (a sua estreia na realização) e o seu envolvimento no “remake-prequela” em animação 3D de «Night of the Living Dead».

És a primeira “vítima” de «The Victim». De «Halloween 4»  a «Hatchet 2», tens sido a principal “vítima” do cinema de terror independente. Vês-te como uma lutadora ou como uma vítima?

Sou definitivamente mais uma lutadora que uma vítima! Por vezes coloco-me em situações onde me torno vítima das circunstâncias que criei, mas sempre lutei para me safar. Eu prefiro ser “a sobrevivente” porque isso implica que a minha personagem tem um obstáculo gigante para ultrapassar, quer emocionalmente, quer  fisicamente. Mas há um número de vezes que aceitas lutar e sobreviver num filme de terorr até ficares tipo, “Sabem que mais? Gostava mesmo de fazer uma comédia romântica a seguir!”.

Como foi trabalhar com o casal Michael Biehn (realizador e actor) e Jennifer Blanc (actriz) em «The Victim»? 

O Michael e a Jen são um casal espectacular. Somos amigos há já muitos anos e temo-nos apoiado mutuamente em assuntos pessoais e de carreira. Portanto, foi um prazer ser parte do seu primeiro filme como produtores.

«Stake Land» é um filme de vampiros passado num mundo pós-apocaliptico, com um ambiente pesado e escuro. Como foi a vida no ‘set’ de um fime tão sombrio?

Foi na realidade uma grande diversão. Tens de encontrar o equilíbrio no ‘set’ entre diversão e não nos levarmos demasiado a sério quando está a fazer um filme tão negro e pesado. Eu penso que o filme é, na realidade, sobre a beleza dos relacionamentos que se formam entre pessoas que precisam de uma família para sobreviver. Amor, amizade, respeito, confiança, todas estas coisas foram o que exploramos ao fazer «Stake Land» e creio que a ligação de amizade entre as nossas personagens é realista porque não é actuada.

Fala-se de um «Stake Land 2». Terias interesse no projecto?

Eu não posso aparecer na sequela, certo? Lol. Spoiler!

Enfrentaste o assassino Michael Myers duas vezes na série original («Halloween 4: The Return of Michael Myers» e «Halloween 5: The Revenge of Michael Myers») e duas vezes na reinvenção de Rob Zombie («Halloween 2007» e «Halloween II»). Se a série tivesse um novo início (ambas as personagens de Danielle estão mortas na narrativa da saga), gostaria de enfrentar Michael mais uma vez?

Nunca quero ser a última a sair de uma festa. Penso que os meus dias com o papão (“boogeyman”) estão terminados.

Qual foi para ti o melhor papel da tua carreira?

Creio que foi, na realidade, realizar «Among Friends» (comédia de terror protagonizada por ela e pela  sua amiga Jennifer Blanc sobre um “prom” sangrento). Estamos em pós-produção e estou muito excitada com este novo passo da minha carreira. Relativamente a papéis como actriz, creio que ainda não tenho nenhum que considere “o melhor” da minha carreira.

Vês o teu estatuto de “scream queen” como uma maldição?

Tem sido uma bênção. Dá-me a oportunidade de fazer aquilo que eu amo. Estou sempre disponível para qualquer desafio.

Voltarás ao papel de Marybeath no terceiro «Hatchet»?

Adorava voltar para um “Hatchet 3”, mas ainda não recebi qualquer tipo de contacto oficial. Vamos fazer figas!

Vais interpretar a Barbara de «Night of the Living Dead: Origins» (nova versão em animação 3D do clássico «A Noite dos Mortos-Vivos de George A. Romero que segue as personagens dias antes da noite em que tudo começou). Esta personagem foi provavelmente a primeira “scream queen” do cinema de terror indie, da mítica frase “Eles vem por ti, Bárbara!” (“They coming for you, Barbara”). Sentes que é uma grande responsabilidade?

É, no mínimo, uma honra “bem fixe” pode rser a Barbara do filme do Romero. É um ícone do terror e eu adorei interpretá-la. Pelo que eu já vi do filme, o trabalho do (realizador) Zebediah De Soto  vai arrasar. Estou ansiosa por ver o produto final.

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