L’Oeil d’Or, a Palma dos documentários, é entregue esta sexta-feira

(Fotos: Divulgação)

Antes de a competição oficial pela Palma de Ouro terminar, numa cerimónia agendada para a noite de sábado, Festival de Cannes terá um encontro com o real, marcado para o meio-dia desta sexta-feira, 22 de maio, no Palais des Festivals: a entrega do L’Oeil d’Or. Trata-se do troféu dedicado exclusivamente ao documentário, cuja estrutura metálica assume a forma de um olho. A distinção surgiu em 2015, com o objetivo de ampliar a difusão das estéticas da não-ficção, num esforço da direção artística de Thierry Frémaux em equilibrar registos da realidade, entre factos e fábulas. A sua criação e manutenção são asseguradas pela Société Civile des Auteurs Multimédia (SCAM).

No seu segundo ano, a distinção teve um vencedor em língua portuguesa: Cinema Novo (2016), de Eryk Rocha. Em 2026, nomes de grande visibilidade da indústria, como Steven Soderbergh e Ron Howard, estão entre os candidatos. O realizador ucraniano Mstyslav Chernov preside ao júri, acompanhado por Tabitha Jackson, Géraldine Pailhas, Lina Soualem e Victor Castanet.

Anja Unger

“Este ano, a colheita de filmes é abundante: o júri do L’Oeil d’Or tem 21 obras para avaliar nas diferentes secções do festival”, afirma Anja Unger ao C7. “Os temas abordados — da observação intimista às análises políticas — e as formas artísticas variam consideravelmente, o que atesta a vitalidade criativa do cinema documental”.

Anja sublinha que, todos os anos, o júri do L’Oeil d’Or é composto por figuras relevantes do documentário. Mstyslav Chernov teve 20 Days in Mariupol (2023) na corrida ao Óscar e ao Prémio Pulitzer. “A nossa lista de vencedores é igualmente impressionante; para citar alguns: Agnès Varda foi distinguida por Visages, Villages (2017), que correalizou com JR. O realizador italiano Stefano Savona venceu com Samouni Road (2018). Raoul Peck foi premiado em 2024, ex aequo com Nada Riyadh e Ayman El Amir. O L’Oeil d’Or também revelou realizadoras importantes como Kaouther Ben Hania (Les Filles d’Olfa) e Asmae El Moudir (The Mother of All Lies). O filme All That Breathes (2022), do indiano Shaunak Sen, conquistou vários prémios internacionais após a sua passagem por Cannes”.

Os concorrentes à Palma Documental de 2026 são: Avedon, de Ron Howard (Estados Unidos); Cantona, de David Tryhorn e Ben Nicholas (Reino Unido); Groundswell, de Joshua Tickell e Rebecca Tickell (Estados Unidos); John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh (Estados Unidos); Les survivants du Che, de Christophe Dimitri Reveille (França); Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani (Chéquia/Espanha); The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco (Argentina); Une vie manifeste, de Jean-Gabriel Périot (França); The Story of Documentary Film, de Mark Cousins (Reino Unido); Dernsie: The Amazing Life of Bruce Dern, de Mike Mendez (Estados Unidos); Maverick: The Epic Adventures of David Lean, de Barnaby Thompson (Reino Unido/Estados Unidos); Vittorio De Sica – La vita in scena, de Francesco Zippel (Itália); Nostalgia for the Future, de Brecht Debackere (Bélgica); Tin Castle, de Alexander Murphy (Irlanda/França); Gabin, de Maxence Voiseux (França/Alemanha/Suíça); Merci d’être venu, de Alain Cavalier (França); Once Upon a Time in Harlem, de William Greaves e David Greaves (Estados Unidos); Cœur Secret, de Tom Fontenille (França); Dans la gueule de l’ogre, de Mahsa Karampour (França); La Détention, de Guillaume Massart (França); Virages, de Celine Carridroit e Aline Suter (Suíça/França).

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