“The Prince of Nanawa“, da realizadora argentina Clarisa Navas, levou para casa o Grande Prémio na Competição Internacional de Longas-Metragens do Visions du Réel, certame que encerrou a 13 de abril. Filme expansivo, “O Príncipe de Nanawa” acompanha as transformações de Ángel ao longo de 10 anos, da infância à idade adulta, na fronteira entre a Argentina e o Paraguai.
“Um filme onde processo e documento são inextricáveis um do outro. Com confiança e humildade, transita entre a autoficção, a ficção e a não-ficção, resistindo à narrativa do mestre. A câmara torna-se um instrumento comunitário e familiar que regista apaixonadamente o microcosmo da juventude enquanto negoceia fronteiras e limites. O olhar dos cineastas é solvente, hospitaleiro e terno, sem nunca sentimentalizar ou alienar o tema“, disse o júri, composto por Hama Haruka, Eliza Hittman e Athiná-Rachél Tsangári.
O Prémio Especial do Júri foi atribuído a “To Use a Mountain“, de Casey Carter, enquanto a Menção Especial foi entregue a “Anamocot“, de Marie Voignier. “The Vanishing Point“, de Bani Khoshnoudi, que quebra o silêncio familiar em torno de um primo desaparecido que foi executado durante as purgas de 1988 nas prisões políticas do regime iraniano, venceu o prémio do Concurso Burning Lights. Já o júri da Competição Nacional premiou “Les Vies d’Andrès“, de Baptiste Janon e Rémi Pons, obra que lança luz sobre o quotidiano de quatro camionistas presos numa espiral de expectativas de desempenho e restrições logísticas, entrelaçada com um romance sobre um carroceiro do início do século XX.
Finalmente, o prémio do público foi para “Cutting Through Rocks“, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, que acompanha como Sara Shahverdi, a primeira vereadora eleita da sua aldeia iraniana, pretende quebrar antigas tradições patriarcais, lutando para acabar com os casamentos infantis.

