Prova A: a aliança improvável entre mineiros da União Nacional e ativistas LGBT na luta contra as políticas de Thatcher — se chocante nesta era pós-casamento entre pessoas do mesmo sexo para quem desconhecia a história, imagine-se em 1984! —, aqui transformada num filme profundamente adorável, à boa tradição britânica, a mesma que nos trouxe, nos últimos anos, obras como The Full Monty, Billy Elliot e Calendar Girls.
Veteranos do pequeno e grande ecrã, como Imelda Staunton e Bill Nighy, juntam-se assim a perfeitos desconhecidos — George MacKay, Ben Schnetzer, entre outros — num conjunto forte e coeso. Se há sempre a intenção de mostrar o quão socialmente importante este filme é, tanto agora como há 30 anos, provando que não mudámos assim tanto em certos campos e que a luta contra as desigualdades sociais ainda não acabou, este manifesto vem acompanhado de um humor imparável, que demonstra capacidade de encaixe sobre a sua própria seriedade, pondo ao canto os poucos detratores capazes de o acusar de ser “lamechas” ou “propagandista”.
Perda deles, pois temos aqui um dos filmes mais puramente agradáveis — e educativos — do ano.

