“La Gradiva” domina palmarés do Queer Lisboa numa edição recorde com mais de 11.500 espectadores

Primeira longa-metragem de Marine Atlan venceu os prémios de Melhor Filme e do Público. Corren las Liebres repetiu a dupla vitória na competição documenta

O filme La Gradiva, que marcou a primeira longa-metragem de Marine Atlan e foi a vencedora da Semana da Crítica em Cannes, triunfou na 30.ª edição do Queer Lisboa, conquistando o Prémio de Melhor Longa-Metragem e o Prémio do Público. O filme centra-se num grupo de adolescentes franceses em viagem a Nápoles e Pompeia.

O júri, composto pela gestora cultural Kathleen Gomes, pela programadora de cinema Maria João Madeira, e pelo ator Miguel Nunes, destacou a forma como “a arqueologia da História, a formação das identidades e a procura de pertença convergem” nesta primeira longa-metragem de uma cineasta que se revelou em 2018 com a curta Daniel fait face.

“Interessava-me contar o momento em que tomamos consciência de que pertencemos a um tempo muito maior do que o da nossa própria vida. Que fazemos parte de uma história“, disse a cineasta francesa ao C7nema, logo após a estreia do filme em Cannes. “Acho que isso acontece na adolescência, porque estamos numa transição. No início sentimo-nos todo-poderosos, presos aos nossos problemas, aos nossos amores, às nossas angústias e medos. Aos poucos, começamos a ganhar distância em relação ao mundo. Era isso que me interessava.“

Também com dois prémios saiu Corren las Liebres, de Lorena Ros, que venceu a Competição de Documentários e o Prémio do Público, com um retrato da população trans ex-reclusa em situação de sem-abrigo no centro de Barcelona. Baby Jackfruit Baby Guava, do vietnamita Nông Nhật Quang, recebeu uma menção honrosa.

Na Competição Queer Art, o prémio principal foi para Nuestro Cuerpo Es una Estrella que Se Expande, dos irmãos Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco. O júri distinguiu ainda com uma menção honrosa Life Is about Losing Everything, de Benjamin Ramírez Pérez e Stefan Ramírez Pérez.

A 30.ª edição do Queer Lisboa teve o número de espectadores mais elevado da sua história, ultrapassando as 11.500 pessoas.

Competição Longas-Metragens

  • Melhor Filme: La Gradiva — Marine Atlan (França, Itália, 2026)
  • Prémio do Público: La Gradiva — Marine Atlan (França, Itália, 2026)

Competição Documentários

  • Melhor Filme: Corren las Liebres — Lorena Ros (Espanha, 2025)
  • Menção Especial: Baby Jackfruit Baby Guava — Nông Nhật Quang (Vietname, Coreia do Sul, 2026)
  • Prémio do Público: Corren las Liebres — Lorena Ros (Espanha, 2025)

Competição Queer Art

  • Melhor Filme: Nuestro Cuerpo Es una Estrella que Se Expande — Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco (México, 2025)
  • Menção Especial: Life Is about Losing Everything — Benjamin Ramírez Pérez e Stefan Ramírez Pérez (Alemanha, Países Baixos, 2026)

Competição Curtas-Metragens

  • Melhor Filme: Je veux qu’on se souvienne de nous — Hélène Giannecchini (França, 2026)
  • Prémio AltContent: Fronteriza — Nay Mendl e Rosa Caldeira (Brasil, Paraguai, 2025)
  • Menção Especial: Seek No Favor — Elle Clay e Leilah Weinraub (EUA, 2025)
  • Prémio do Público: Xylella Fastidiosa — Thomas Colineau (França, 2025)

Competição In My Shorts – Curtas-Metragens de Escolas Europeias

  • Melhor Filme: Ãsheghetam — Filmsaaz (França, Suíça, Irão, 2026)
  • Menção Especial: Sunday Lunch — Lyndon Henley Hanrahan (Reino Unido, 2026)
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