Encerrou-se este domingo a 11.ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, com a atribuição dos principais prémios a obras que refletem profundamente sobre identidade, memória e fronteira. O evento, que decorreu entre 28 de julho e 3 de agosto, contou com mais de 4.500 espetadores e a presença de mais de 15 realizadores e produtores, consolidando-se como um dos mais importantes encontros do documentário em Portugal.
O galardão Jean-Loup Passek para Melhor Longa-metragem Internacional foi atribuído a Cutting Through Rocks, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni. O documentário acompanha Sara Shahverdi, a primeira mulher eleita vereadora numa aldeia iraniana, numa luta corajosa contra tradições patriarcais, ao ensinar raparigas a andar de mota e combater casamentos infantis. A Menção Honrosa nesta categoria vai para Afterwar, de Birgitte Stærmose, um retrato de 15 anos sobre crianças de Pristina que sobreviveram à guerra do Kosovo.
Al Basateen, de Antoine Chapon, venceu a distinção de Melhor Curta ou Média-metragem Internacional, destacando-se pela sua sensibilidade na exploração da memória coletiva. Já o prémio ao Melhor Documentário Português foi para Kora, de Cláudia Varejão, um olhar íntimo sobre mulheres refugiadas em Portugal, marcado pela empatia e proximidade característica da cineasta.
Pela primeira vez no MDOC, foi atribuído o prestigiado FIPRESCI Prize, concedido por críticos internacionais, ao filme My Memory is Full of Ghosts, de Anas Zawahri, que também conquistou o Prémio D. Quixote. A Melhor Curta-metragem foi para Beneath Which Rivers Flow, de Ali Yahya.
Com 33 filmes em competição — 28 estreias nacionais —, o MDOC reafirmou o seu compromisso com vozes marginais e cinema de resistência, celebrando a força poética e humana do documentário contemporâneo.

