Um filme sobre a cantora (e atriz) Shoshana Damari, por muitos considerada a primeira diva israelita, outro em torno da associação não governamental “Breaking The Silence”, e uma análise aos 73 anos da fundação de Israel e da construção de memórias diferentes para israelitas e palestinianos, são três obras a destacar na programação da 23ª edição do Festival Internacional de Documentários Docaviv.
“Queen Shoshana” é um dos 13 filmes na competição principal, numa seleção que conta ainda com uma análise ao patriarcado em Israel (How to Say Silence) e à história de uma vila apanhada num conflito na fronteira entre Israel e Egito (Nelson’s Last War).
Avi Mograbi assentou o seu mais recente filme, “The First 54 Years – An Abbreviated Manual for Military Occupation”, em vários testemunhos de soldados israelitas que operaram nos territórios ocupados ao longo das últimas décadas. Essas palavras foram proferidas em vídeo para a associação Breaking The Silence, que é agora o foco do documentário “The Good Soldier”, de Silvina Landsmann (“Soldier/Citizen”, “Hotline”). O filme será apresentado na secção Masters, onde encontramos igualmente um ensaio documental sobre a história intelectual do fascismo (Our Beds Are Burning).
É já na competição de estudantes que encontramos “Rothschild 16”, curta de Noam Israel, uma análise sobre a memória e como um evento de celebração, a fundação do estado de Israel, é vista pelos palestinianos como o “Nakba” (a catástrofe). O filme discute a formação da memória em torno de um sítio histórico com duplo sentido e está na competição ao lado de outros como “Hadar HaCarmel”, que traça o retrato do homónimo bairro abandonado de Haifa, contado através das histórias de alguns de seus residentes mais intrigantes que ainda se lembram do seu passado glorioso.
O Festival Internacional de Documentários Docaviv vai decorrer em Tel Aviv-Yafo de 1 a 10 de julho. Toda a programação israelita pode ser encontrada aqui.

