“Todos os filmes na competição ao Tigre de Ouro irradiam um forte senso de urgência pessoal e relevância cinematográfica, alimentada por visões de direção que ultrapassam fronteiras.” Assim o diz Bero Beyer, diretor do Festival de Roterdão, que anunciou hoje a programação da sua competição principal.

Nas escolhas, uma coprodução entre Portugal, Brasil e Argentina merece destaque: Desterro, da brasileira Maria Clara Escobar. “Estamos vivendo num mundo em que pessoas que nunca conseguiram se dizer ou se representar vão começando a conquistar esse lugar e, nesse momento, sinto necessidade de desconstruir o status quo da ideia de normalidade, do casal branco hetero intelectualizado. Vejo um desejo do filme de olhar justamente para essa repetição, para essa classe média que faz a manutenção de algo decadente, cujo desejo é não falar sobre isso e não questionar para não perder seu chão que foi conquistado por gerações e gerações anteriores de pessoas que mantiveram o status quo”, afirma a jovem realizadora, que vai estrear a sua obra mundialmente no certame. Em Portugal, o filme estreia ainda em 2020.

De resto, a programação vai incluir desde autoficção milenar experimental à consciência da classe espanhola, passando pelos filmes criminais coreanos e pela vida do nacionalista hindu Tamil Nadu.
Aqui fica a lista dos filmes em competição ao Tigre de Ouro:
- El año del descubrimiento, Luis López Carrasco (Espanha, Suiça)
- Beasts Clawing at Straws, Kim Yonghoon (Coreia do Sul)
- The Cloud in Her Room, Zheng Lu Xinyuan (França/China)
- Desterro, Maria Clara Escobar (Brasil, Portugal, Argentina)
- Drama Girl, Vincent Boy Kars (Holanda)
- La fortaleza, Jorge Thielen Armand (Venezuela, França, Colômbia, Holanda)
- Kala azar, Janis Rafa (Holanda, Grécia)
- Nasir, Arun Karthick (India, Holanda
- Piedra sola, Alejandro Telemaco Tarraf (Argentina, Mexico, Qatar, Reino Unido) UK, world premiere
- Si yo fuera el invierno mismo, Jazmín López (Argentina)

